O conselho que Fachin recebeu – e ignorou – no caso de Alexandre de Moraes
Definição de senadores que serão eleitos em 4 de outubro era considerada fundamental para STF ditar ritmo de sessão plenária sobre ministro
Afeito à composição, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin consultou diferentes ministros nas últimas semanas sobre como deveria conduzir a controversa sessão plenária que decidiria se Alexandre de Moraes deve ou não ser investigado por ter trocado 52 mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro, pivô do maior escândalo financeiro da história do país. Grande parte dos magistrados avaliou que o agendamento dos debates, que, como se sabe, acabaram adiados por até 90 dias por um pedido de vista de Flávio Dino, deveria ocorrer apenas depois das eleições presidenciais. Um conselho, porém, tinha viés mais estratégico.
De um dos colegas de toga, Fachin ouviu que o ideal era que a sessão sobre o destino de Moraes fosse agendada não para depois da disputa eleitoral – o que poderia dar azo a interpretações de demora deliberada –, mas necessariamente para uma data posterior a 4 de outubro, dia do primeiro turno. O raciocínio era o de que, desta forma, a Corte já saberia quais candidatos foram eleitos para o Senado e, com isso, poderia avaliar o real apetite da nova composição do Congresso para o impeachment de magistrados a partir de 2027.
É no Senado que tramitam os processos de impedimento de juízes do STF, procedimento que também depende da disposição pessoal do presidente da Casa. Como mostrou reportagem de capa da edição de VEJA que chega neste fim de semana às bancas e plataformas digitais, a relação de intimidade fraternal entre o atual presidente Davi Alcolumbre (União-AP) e Vorcaro pode explicar – e muito – a inapetência do congressista para dar vazão aos sucessivos pedidos de impeachment contra membros da mais alta Corte do país.
Fachin, no entanto, rejeitou o conselho sobre a escolha da data e pautou a sessão para o último dia 15. Diante do pedido de vista de Dino, que tem até 90 dias para devolver o caso à pauta, o presidente do STF disse a interlocutores que não descarta tomar alguma medida que acelere o desfecho do processo. Ele não informou aos mesmos interlocutores a que se referia.
Como era a relação entre Davi Alcolumbre e Daniel Vorcaro?
Mensagens apreendidas no celular do banqueiro a que VEJA teve acesso mostram não só um convívio, digamos, extremamente íntimo entre Alcolumbre e o banqueiro como promessas de parceria inquebrantável entre ambos. “Sou seu irmão!!! Pra vida toda!!!”, escreveu Alcolumbre a Vorcaro em 30 de março de 2025. “E eu seu. A qualquer tempo pra qualquer coisa. Nunca vou esquecer”, respondeu Vorcaro.
Os diálogos integram o telefone celular no qual estava armazenada, entre outras coisas, a sequência de 52 mensagens entre o ex-controlador do Master e o ministro Alexandre de Moraes, conhecido aliado de Alcolumbre. O episódio motivou a maior crise pela qual passa a Corte desde sua criação, há 135 anos, deu força a pedidos de investigação tanto de Moraes quanto de André Mendonça, relator do caso Master no STF, e disparou alertas na classe política de que, no meio dos mais de 32.000 arquivos de áudios, vídeos e chats de conversas, a exposição de altos figurões da República é apenas uma questão de tempo.






