O medo de Celina: como o BRB e Ibaneis devem voltar ao centro da disputa pelo governo do DF
Grass pretende utilizar o episódio para questionar a gestão do grupo político que comandou o Distrito Federal nos últimos anos
Um medo paira a campanha de Celina Leão (PP) no segundo turno ao governo do DF: a crise do Banco de Brasília (BRB) deve voltar ao centro da disputa contra Leandro Grass (PT) e, com isto, trazer de volta a vinculação ao nome do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB). O tema, que acompanhou a campanha desde o início do ano, ganhou novo peso como uma das principais questões para avaliar a gestão da atual governadora.
Celina terminou o primeiro turno com 49,93% dos votos válidos, enquanto Grass obteve 34,47%. A governadora ficou a apenas 0,07 ponto percentual de atingir a maioria necessária para encerrar a disputa no domingo.
Grass pretende utilizar o episódio do BRB para questionar a gestão do grupo político que comandou o Distrito Federal nos últimos anos. A estratégia também permite ao petista vincular Celina à administração de Ibaneis, de quem ela era vice antes de assumir o Palácio do Buriti.
Celina defenderá as medidas adotadas para preservar o banco e ressaltar que o GDF atuou para garantir sua continuidade. O BRB, portanto, deve permanecer como um dos principais temas do confronto entre os dois candidatos até 25 de outubro.
O BRB entrou em uma crise financeira após operações envolvendo o Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central. O episódio levou a uma série de medidas para tentar recompor a situação financeira do banco público do Distrito Federal. Em junho, o presidente do BRB informou ao Senado que a instituição poderia precisar de R$ 8,8 bilhões para fazer frente a possíveis perdas relacionadas aos negócios com o Master.
A crise também chegou ao Tribunal de Contas do Distrito Federal. Em setembro, o órgão determinou o bloqueio de até R$ 2,7 bilhões em bens e contas de cinco ex-dirigentes do BRB, em processo relacionado aos negócios com o banco privado.
A estratégia de Grass permite ao petista apresentar a eleição como uma avaliação não apenas da atual gestão, mas da continuidade do grupo político que administra Brasília desde 2019. O discurso pode buscar vincular Celina às principais decisões e resultados do período em que esteve ao lado de Ibaneis, sobretudo em temas sensíveis para o eleitorado, como saúde, transporte, segurança e a gestão do BRB.






