O que é a nova sede do governo de SP que será erguida na antiga ‘Cracolândia’
Projeto prevê sete novos edifícios na região; 'Vamos retomar o território', diz secretário de Projetos Estratégicos, Guilherme Afif Domingos
A nova sede do governo de São Paulo prevista para ser construída na região central da capital paulista é a aposta do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) para retomada do território que ficou conhecido como “Cracolândia” e que nos últimos anos tem sido um ponto de atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior facção criminosa do estado e do país.
As movimentações políticas e econômicas já movimentam as ruas e avenidas no entorno da Praça Princesa Isabel, onde deverá ficar o novo complexo administrativo do estado — hoje quase todo no Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi. Até 1965, a sede do governo ficava na região central, instalada no Palácio dos Campos Elíseos, área que nos últimos anos foi tomada pelo fluxo de dependentes de drogas.
De acordo com informações do governo paulista, o custo da obra ficará em torno de 5,5 bilhões de reais. A área para construção dos novos prédios será de 288 mil metros quadrados. No total, sete edifícios e dez torres estão previstos. A previsão de entrega da nova sede é a partir de 2030. O número de servidores que atuarão na área é de 22.500.
“Quanto ao centro, só tem uma solução: Retomar o território. E para retomar o território, vamos trazer o governo inteiro para uma praça. É a praça é a Princesa Isabel”, disse o secretário de Projetos Estratégicos de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, em uma palestra no Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp), no último dia 9. “Ela (praça) tem um planejamento urbanístico espetacular. Você só não vai compreender isso, porque você chega lá e está um terminal de ônibus horroroso, ocupando metade da praça, o que deveria ser jardim, deveria ser parque (…). Então, a primeira coisa é mudar o terminal de ônibus, colocar o terminal de ônibus ali pertinho da Estação da Luz, o que ajuda na integração do sistema de ônibus com o trem e metrô, que ali é uma região muito bem servida”, explicou.
A expectativa do governo paulista é iniciar as desapropriações em cerca de 90 dias. Segundo Afif afirmou no encontro com advogados, ao menos 600 famílias devem deixar o local. “Você desapropria, o proprietário recebe o valor, mas aquele morador carente, nós encaminhamos para uma habitação de interesse social”, afirmou Afif.
Na região, existem dezessete imóveis com cerca de cem anos de construção. O governo paulista exigirá da construtora responsável pelo projeto a restauração dos prédios tombados. “A nova estação rodoviária vai ser na (Rua) Brigadeiro Tobias. Na frente do Liceu Coração de Jesus, que é de 1887, aquela praça na frente do Liceu, o Estado se apropriou, e o terreno da frente nós vamos erguer a Central da Polícia Militar do Estado de São Paulo”, disse Afif durante a palestra.
Nas proximidades há ainda a Estação Júlio Prestes e será construído um calçadão para o público em geral, que sai da Sala São Paulo e do Museu da Resistência. “Ele segue, vai para o Museu da Língua Portuguesa, que é ali do lado. E em frente, o Jardim da Luz, que completa 200 anos agora. E nós queremos anexar o Jardim da Luz à Pinacoteca. Então, o Jardim da Luz passa a ser quintal para fazer exposições de esculturas, aula livre, administrado pela Pinacoteca”, disse o secretário.
Palácio restaurado
O Palácio Campos Elíseos, construído entre os anos de 1890 e 1899, também terá participação na nova fase da administração pública paulista. No local, o governador de São Paulo recepcionará chefes de Estado e demais autoridades. “Joia da Coroa”, definiu Afif. “Ele está restaurado, será recomposto exatamente com o mesmo mobiliário dos anos 1930, quando era sede do governo, para o governo poder receber as visitas mais cerimoniosas. E a gente tem um Palácio que mostra a antiguidade e a modernidade”, diz Afif.







