O que explica o silêncio sobre Jaques Wagner nas eleições da Bahia
Três dos maiores nomes da oposição ao PT evitaram explorar, por ora, as suspeitas envolvendo a relação do líder do governo Lula no Senado com o Banco Master
Os três maiores nomes da oposição ao PT na Bahia atualmente escolheram não explorar politicamente a operação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) na semana passada, que investiga sua relação com o Banco Master e as possibilidades dele ter recebido vantagens financeiras da instituição em troca de apoio parlamentar.
O maior desses nomes, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União-BA) não respondeu a reportagem de VEJA quando foi procurado no dia da operação. Também não falou sobre o assunto nas redes sociais. Ele é, hoje, o principal nome do polo antipetista no estado e disputará o comando da Bahia contra o governador Jerônimo de Freitas (PT).
Quando questionado por jornalistas na última sexta-feira sobre o caso de Wagner — que é líder do governo Lula no Senado — ele desconversou e disse que era um problema para outra instância da política, a Justiça. “Essa é uma questão que cabe ao Judiciário. O que nós esperamos é que a investigação seja completa, isenta, correta e que, ao fim, se há responsáveis e culpados, que sejam punidos. É aguardar para ver os desdobramentos que eventualmente isso pode ter”, respondeu.
A decisão pode ser lida como uma estratégia de adotar a cautela, visto que próprio Neto já foi apontado como um político que também mantinha relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), ACM Neto apareceu como recebedor de 3,6 milhões de reais do Banco Master e da gestora de recursos Reag (que se tornou alvo da Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro) entre março de 2023 e maio de 2024. O político tem afirmado que o recurso é referente a serviços de consultoria que prestou e, até então, não foi alvo de operações.
Outro importante nome de oposição, o senador Ângelo Coronel (Republicanos-BA) — que, no início deste ano, deixou o PSD e rompeu a aliança que tinha com o PT por ter sido preterido na disputa ao Senado –, também não explorou a situação, mesmo sendo adversário direto de Wagner na disputa por uma vaga no parlamento (ele ocupa uma das vagas para o Senado na chapa de ACM Neto).
Já o segundo nome ao Senado na chapa de oposição ao PT, o ex-ministro da Cidadania, João Roma (PL-BA), até foi às redes para comentar a investigação da PF contra Wagner, mas não se alongou demais. Disse apenas que “considera grave, com indícios fortes” de irregularidades concretas, mas pediu apenas que a apuração seja feita dentro da lei, com isenção e sem interferência política.
Assim como o PL nacional, que foi mais incisivo ao criticar Jaques Wagner e o PT, João Roma escolheu por dar continuidade em seu posicionamento sobre os problemas da Bahia, criticando a atual gestão petista. Assim como ACM Neto e Jaques Wagner, João Roma também mantinha relações com Augusto Lima, ex-sócio do Master investigado no caso do PT.
Sobre o caso Jaques Wagner, a minha posição é clara: eu considero muito grave, com indícios fortes, necessitando de apuração com o rigor da Lei.
Como sempre defendi, toda investigação deve ocorrer com independência, sem interferência política e com direito ao contraditório.
— João Roma (@joaoromaneto) June 19, 2026
A Bahia cansou.
Este ano, o eleitor tem a chance real de escolher representantes dignos, tanto para o Senado quanto para o Governo.
O futuro está na mão de vocês.— João Roma (@joaoromaneto) June 19, 2026







