O que leva o Rio a ter tráfego maior de helicópteros do que São Paulo
Capital fluminense tomou a liderança em 2025 em pousos e decolagens
Embora São Paulo seja uma das cidades com maior frota de helicópteros do mundo, o Rio supera hoje em tráfego dessas aeronaves. A virada da capital fluminense ocorreu no ano passado, de acordo levatamento da plataforma de aviação Flapper, que utilizou dados do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). Em 2025, os aeroportos de Jacarepaguá, Santos Dumont e Galeão totalizaram 94.400 pousos e decolagens de helicópteros. Enquanto isso, quatro paulistas – Campo de Marte, Guarulhos, Congonhas e São Paulo Catarina (em São Roque, mas que atende a capital) mais números estimados pelo Decea sobre operações fora desses aeroportos somaram 78.600, numa diferença de quase 16 mil na movimentação na comparação das duas cidades.
Em 2024, São Paulo ainda estava na dianteira, com 74.700 pousos e decolagens. Rio fechou o ano com 70.300. Responsável pela pesquisa, Paul Malicki, CEO da Flapper no Brasil, afirma que o boom tem a ver com o volume registrado no Aeroporto de Jacarepaguá, na Zona Sudoeste. Em 2025, a pista contabilizou 87.815 pousos e decolagens. Só no primeiro semestre deste ano, foram 49 mil operações. Pela previsão da plataforma, o movimento deve chegar a quase 100 mil até dezembro. “Fazendo uma estimativa para 2026, o Rio vai bater 102.700 operações este ano”, calcula Malicki, ressaltando que essa conta seria ainda maior se entrassem os os números de quatro helipontos das zonas Sul e Sudoeste, voltados, sobretudo, para o turismo. Ele estima esse total em 6 mil por mês.
Petróleo explica intensidade de voos
Os números de voos panorâmicos, afirma o CEO, crescem ano a ano, mas é o setor offshore o grande responsável pela quantidade verificada. “A principal explicação para o Rio na frente de São Paulo está na expansão das atividades de petróleo e gás offshore e na importância crescente do transporte aéreo para a logística das plataformas instaladas na costa fluminense”, explica o professor do Programa de Engenharia de Produção da Coppe/UFRJ Elton Fernandes, acrescentando que o Aeroporto de Jacarepaguá se consolidou como importante base para a indústria do petróleo e gás. “O volume (de operações) é particularmente expressivo porque uma mesma aeronave pode realizar vários trajetos ao longo do dia, transportando trabalhadores e prestando apoio às atividades”.
Para ele, os helicópteros no Rio integram uma verdadeira cadeia logística aérea. E a intensidade das operações levou o Rio a ultrapassar São Paulo, onde a frota, por outro lado, segue maior. O especialista ressalta que na capital paulista essas aeronaves estão associadas à aviação executiva, empresarial, hospitalar e para outros serviços urbanos, fazendo parte de um setor bem mais diversificado.
Demanda por infrastrutura
A Flapper propõe, junto ao poder público, a criação de um helicentro moderno na Zona Sul, que poderia ficar na região da Marina da Glória ou na Urca. O CEO da empresa no país diz estar conversando com autoridades. A pista, afirma ele, diminuiria o fluxo na área de Jacarepaguá e Barra e atenderia melhor a demanda de voos turísticos sobre a Zona Sul. Malicki defende ainda que parte dos voos do setor offshore seja transferida para outras cidades do litoral do estado, como Maricá.
Ao mesmo tempo em que esse mercado de aviação cresce no Rio, girando também crifras mais altas, acidentes envolvendo helicópteros geram preocupação. Em 2026, foram 13 mortos em tragédias com esses equipamentos na cidade.
Em menos de dois meses, 10 perderam a vida em duas ocorrências. No dia 14 de junho, dois helicópteros que seguiam a mesma rota – sendo que um estava com o transponder desligado – se chocaram no ar, no Recreio dos Bandeirantes, matando seis. No dia 8 de agosto, três turistas colombianas da mesma família e o piloto morreram na queda de um helicóptero perto da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista.







