Os alvos principais da discussão sobre supersalários e penduricalhos nas redes
Menções ao Judiciário e ao Ministério Público predominam em publicações sobre o tema; servidores participam pouco do debate
O debate nas redes sociais sobre supersalários e penduricalhos no funcionalismo brasileiro tem como alvos principais o Judiciário e o Ministério Público. E é conduzido majoritariamente por veículos de imprensa e atores políticos, enquanto os servidores têm pouca voz na discussão sobre o tema.
Essas são algumas das conclusões de uma pesquisa realizada pela Redes Cordiais e pela República. org. O estudo analisou 11. 282 publicações, sendo 8. 520 posts no Instagram, 2. 096 vídeos no YouTube e 666 no TikTok.
A pesquisa identificou duas ondas de mobilização. A primeira, em 2021, esteve associada à Reforma Administrativa e ao termo “supersalário”. A segunda ganhou força no fim de 2025 e dominou 2026, quando “penduricalho” passou a prevalecer. Nos últimos meses, o STF determinou freios aos pagamentos fora do teto.
Referências ao STF, à magistratura e ao Ministério Público variaram entre 30% a 52% das publicações do Instagram sobre o tema entre 2016 e 2025. Neste ano, houve um salto e chegaram a 75% em 2026. No YouTube, o tribunal aparece em 38% dos vídeos analisados.
Em 2021, “supersalário” apareceu em 646 posts do Instagram, contra 338 de “penduricalho”. Em 2026, a situação se inverteu e foram 272 e 898, respectivamente.
Também aumentaram as referências a ministros do STF, como Flávio Dino, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, relatores de ações sobre o tema.
As três bases da pesquisa foram coletadas de forma independente, utilizando as ferramentas Meta Content Library, YouTube Data Tools e Zeeschuimer.
Os dados do Instagram são de 2016 a 2026, enquanto os do YouTube vão de junho de 2025 a junho de 2026. Já as publicações coletadas no TikTok não dispõem de data.
A linguagem também revela a posição de quem participa do debate. “Supersalário”, “privilégio” e “penduricalho” predominam entre partidos e políticos. Nos órgãos públicos, “verba indenizatória” aparece em 52% das publicações, enquanto juristas utilizam “direito” em 41%. O servidor comum quase não emprega o vocabulário central da discussão.
No Instagram, 66% dos posts são publicados por veículos jornalísticos; no YouTube, a imprensa responde por 82% dos vídeos.
Já o TikTok apresenta uma dinâmica diferente: os servidores públicos representam 72% das vozes mapeadas e têm forte alcance, especialmente nas áreas de Segurança Pública e Educação, mas seus conteúdos se concentram na rotina profissional e no humor, e não na disputa sobre remuneração.
A pesquisa aponta ainda um consenso superficial entre esquerda e direita na crítica aos supersalários, que se desfaz na definição dos alvos e das estratégias.
Quando os servidores comuns entram na discussão, o foco muda: a questão deixa de ser apenas o teto dos ministros e passa a evidenciar a desigualdade interna do funcionalismo, contrapondo os salários da base aos acréscimos recebidos no topo.







