Padre é afastado após denúncias contra crianças e jovens no Rio
Exclusivo: Ademar Pimenta estava na Nossa Senhora de Nazaré, em Saquarema (RJ)
Uma carta aberta publicada nas redes sociais por Laura Gabriela vem repercutindo nas redes sociais nos últimos dias. Destinada à Comunidade Paroquial, ela denuncia o padre Ademar Pimenta, que estava atualmente na Nossa Senhora de Nazaré, em Saquarema (RJ), e afirma que houve omissão por parte das autoridades paroquiais após receberem contra ele “relatos sérios e detalhados envolvendo comportamentos inadequados, humilhações públicas, constrangimentos recorrentes e atitudes incompatíveis com o cuidado pastoral esperado”.
“Muitos desses relatos vieram justamente de crianças e jovens que servem ao altar, espaço que deveria ser símbolo de acolhimento, formação e segurança. Alguns testemunhos descrevem abordagens invasivas, comentários impróprios, intimidações veladas e exposições moralmente violentas realizadas inclusive durante homilias e momentos de convivência pastoral. Outros revelam episódios profundamente desconfortáveis ocorridos até mesmo em contextos de confissão espiritual, lugar sagrado que jamais deveria ser associado ao medo, à vergonha ou ao abuso psicológico”, denuncia Laura.
Este relato foi publicado no dia 29 de maio. Já na sexta-feira, 5, ela voltou a se manifestar nas redes, indignada com a presença no altar do Padre Ademar, em meio às solenidades do feriado de Corpus Christi. “Ontem, na solenidade do Corpo de Cristo, muitos fiéis viveram um sentimento difícil de descrever: indignação, tristeza e profundo escândalo. Enquanto a Igreja celebrava publicamente a presença real de Cristo na Eucaristia, sacramento da verdade, da pureza e da entrega, estava novamente no altar o Padre Ademar, sacerdote cujo nome permanece ligado envolvendo crianças e jovens. Um homem que, segundo relatos conhecidos por toda a comunidade, deixou marcas profundas na vida de inúmeras pessoas”, escreveu.
Outros comentários, de frequentadores da paróquia, mostram que é sabido e público o teor das denúncias envolvendo seu nome há meses. O perfil da Igreja Nossa Senhora do Carmo e São José, Vilatur, comentou: “Misericórdia Jesus, isso tem que ser visto e ter punição, meu Deus, estou sem reação”.
O perfil de um dos fiéis denunciou: “Fui da Matriz de São Gonçalo do Amarante quando eu era adolescente, e na época todo mundo soube, porém muita gente desmereceu centena de vítimas, todas meninos adolescentes, que se entregaram ao álcool e a promiscuidade, se afastaram da igreja e foram vistos como mentirosos. O silêncio diante do abuso também causa feridas profundas. Quando denúncias são ignoradas e vítimas não são ouvidas, a dor se multiplica”.
Neste domingo, 7, após forte engajamento do relato nas redes sociais, o padre Hugo dos Santos Nascimento, coordenador do setor de comunicação da Arquidiocese de Niterói, se manifestou, em nota, dizendo que Ademar não tem ofício eclesiástico desde abril de 2019 e que veio residir em Saquarema ultimamente, “colaborando conforme convite ou necessidade eventual do pároco”. Após as recentes denúncias, Hugo diz que ele “fica suspenso de ordem, a fim de continuar o tratamento de sua saúde”. Procurado, o padre Ademar não se manifestou sobre as denúncias até o momento.
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