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Passado de Lula desmoraliza discurso contra ‘uso eleitoral da fé’

Antes de perder o apoio do eleitorado religioso, o petista não via problemas em discursar em cultos abarrotados de pastores

Por Robson Bonin Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 jun 2026, 09h33 | Atualizado em 9 jun 2026, 09h41
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O PT divulgou, nesta segunda, uma carta aos evangélicos em que se dedica a tentar arregimentar votos de um eleitorado religioso, cada vez mais distante do petismo, ao mesmo tempo em que critica o “uso eleitoral da fé”.

Vendo as pesquisas mostrarem elevados índices de rejeição de Lula entre evangélicos, o partido decidiu exaltar “o entendimento do próprio presidente da República de que não se deve ‘tirar proveito político de uma coisa sagrada’”.

Em termos religiosos, 0 Lula que caminha para concluir seu terceiro mandato no Planalto é hoje bem diferente do Lula do primeiro mandato. Ao disputar sua primeira reeleição, em 2006, Lula não via problemas em discursar dentro de igrejas, num claro “uso eleitoral da fé”.

Em 8 de setembro de 2006, o petista participou de um grande culto na Assembleia de Deus, no Rio de Janeiro, onde recebeu o apoio de cerca de 3.000 pastores e bispos e discursou aos fieis: “Saio daqui mais uma vez gratificado, agradecendo a Deus por este dia. Valeu viver até o dia de hoje para saber que os evangélicos não têm nenhuma dúvida em relação ao presidente Lula e o presidente não tem dúvida em relação aos evangélicos. Somos todos crentes e amamos este país.”

Em 2010, quando Lula, com a popularidade nas alturas, lançou Dilma Rousseff Planalto, o petismo voltou a fazer campanha dentro das igrejas evangélicas.

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Num evento na Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil, em julho de 2010, o líder de uma das maiores denominações da Assembleia de Deus, o Ministério de Madureira, pastor Manoel Ferreira, defendeu o voto em Dilma e agradeceu Lula pela lei que regulariza os templos erguidos em áreas públicas da União. “Agora chegou a hora de estarmos unidos. O que podemos fazer por esse homem?”, perguntou o pastor aos fiéis. Ele mesmo respondeu: “Fazer a sua sucessora.” 

Construído no chão de fábrica e nas comunidades eclesiais de base da Igreja Católica, o PT se afastou da igreja e de seus eleitores ao longo dos mandatos de Lula e de Dilma Rousseff, quando tornou-se um partido de elite, formado por milionários que, em muitos casos, enriqueceram na política.

O antipetismo, forjado por tantos escândalos de corrupção, entregou o eleitorado evangélico ao movimento conservador que elegeu Jair Bolsonaro e agora se lança na campanha de Flávio Bolsonaro. Entendendo que dificilmente conseguirá atrair os evangélicos ao seu projeto de reeleição, o petismo resolveu condenar a política dos templos.

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“Reafirmamos nosso compromisso com a construção de um Brasil mais justo, solidário e inclusivo. A partir de uma avaliação cidadã, democrática e programática dos desafios do país, dos avanços alcançados e das tarefas ainda necessárias para garantir direitos, reduzir desigualdades e ampliar oportunidades, manifestamos nosso apoio à continuidade do projeto democrático e popular liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Este compromisso não nasce do uso eleitoral da fé, pois compartilhamos do entendimento do próprio presidente de que não se deve ‘tirar proveito político de uma coisa sagrada’”, diz a carta do PT.

Impedir a exploração da fé por políticos é uma causa nobre. Pena que Lula e o PT tenham levado tanto tempo para perceber a importância do tema.

 

 

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