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APURAÇÃO DAS ELEIÇÕES 2026

PF prende vereador e mira Marcinho VP em operação contra monopólio de internet do CV

Agentes cumprem 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão nos municípios do Rio, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé

Por Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 out 2026, 09h41 | Atualizado em 19 out 2026, 09h41
PF prende vereador e mira Marcinho VP em operação contra monopólio de internet do CV Priorize VEJA no Google

A Polícia Federal (PF) realizou nesta segunda-feira, 19, a Operação Backbone, que visa desarticular o monopólio de internet do Comando Vermelho (CV) nos Complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Os agentes cumprem 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão nos municípios do Rio, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. Parte deles será cumprida, inclusive, no sistema prisional. Até o momento, 19 foram presos, incluindo o vereador carioca Fabio Silva (Podemos).

Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de bens e valores em até R$ 558 milhões, alcançando 42 empresas e 40 pessoas físicas, que também tiveram as suas atividades econômicas suspensas. Entre os envolvidos no esquema, estão provedores de internet, produtoras de eventos, empresa de contabilidade e empresas de fachada.

Em paralelo, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) receberá um oficio para a cassação das outorgas e a interdição dos serviços de telecomunicações prestados pelos empreendimentos na mira da PF.

As investigações apontaram que traficantes armados cortaram cabos e incendiaram caixas de distribuição de operadoras regulares e concorrentes, de forma a forçar moradores e comerciantes a contratarem a “internet do tráfico”. Ao mesmo tempo, provedores autorizados pelo CV são obrigados a pagar uma tarifa mensal para operar nos territórios.

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“Registros contábeis da própria facção indicam que, em um único mês, a cobrança sobre o serviço de internet respondeu por mais de 40% de toda a arrecadação do grupo no Complexo da Penha”, afirmou a PF em nota.

“A exploração desse serviço público tornou-se uma das principais atividades lucrativas do crime organizado e fomenta a guerra pelo controle de territórios: cada comunidade dominada representa uma base de clientes cativos e uma nova fonte de receita para a facção”, continuou.

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Papel de Marcinho VP

Márcio Santos Nepumuceno, o Marcinho VP, também está entre os alvos da operação. Segundo as apurações, ele “continua a controlar as atividades empresariais exploradas nesses territórios, em conjunto com seus familiares e outras lideranças da facção”. O líder histórico do CV está preso na Penitenciária Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, há três décadas.

“Os lucros chegavam à família deste líder por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem, e eram dissimulados em produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão – pagos em dinheiro vivo – e criptoativos”, acrescentou a Polícia Federal.

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Os investigados responderão pelo crime de domínio social estruturado, que pune grupos que empregam violência, grave ameaça e coação para impor controle territorial e social, intimidar populações, reprimir autoridades e atacar serviços essenciais. Eles também poderão ser acusados de extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, desenvolvimento clandestino de telecomunicações e lavagem de dinheiro.

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