Pobreza e desigualdade, os maiores desafios dos jovens no Brasil
Preocupação aparece à frente de saúde mental, que se destaca na liderança global em levantamento da Ipsos com 31 países
Os maiores desafios enfrentados pelos jovens brasileiros são a pobreza e a desigualdade, como aponta a pesquisa Education Monitor 2026, da Ipsos, realizada em 31 países. O tema é mencionado por 43% dos brasileiros, percentual bem acima da média – de 29% – das nações que integram o levantamento. Globalmente, saúde mental lidera entre as preocupações, com 33%. No Brasil, no entanto, o tema aparece em terceiro lugar, com 32%, junto da baixa qualidade da educação, citada por 33%.
Quando se trata de pobreza e desigualdade, o Brasil se encontra no mesmo patamar de outros países marcados por fortes desigualdades, como Argentina (48%), Colômbia (47%), Peru (44%) e África do Sul (43%). No ano passado, esse índice no Brasil era de 28%. Para a pesquisa, foram entrevistados 23.537 adultos em 31 países, entre 19 de junho e 3 de julho deste ano.
Diretora de opinião pública na Ipsos, Rosi Rosendo, afirma que os números deixam claro que o contexto econômico e social influencia as expectativas sobre a juventude. “Os resultados mostram que, no Brasil, falar sobre o futuro dos jovens exige considerar as desigualdades que condicionam seu acesso à educação, à segurança e às oportunidades profissionais”, avalia ela, acrescentando. “Ao mesmo tempo, vemos pontos de convergência com outros países, especialmente nas preocupações com a saúde mental, a segurança digital e a preparação para o mercado de trabalho”.
As preocupações com os jovens refletem diferentes realidades sociais. O acesso à moradia é preocupante para 8% no Brasil; mas o percentual chega a 63% nos Países Baixos, 55% na Espanha e 52% na Irlanda. Os efeitos das redes sociais e de tecnologias, incluindo inteligência artificial, são mencionados por 20% dos brasileiros, o que coloca o país abaixo da média global, de 30%.
Mobilidade social
As desigualdades também impactam o olhar sobre a mobilidade social: 39% dos brasileiros acreditam que jovens de origem mais pobre têm um futuro promissor, enquanto 54% discordam disso. Um dado positivo é que 56% dos brasileiros dizem que os jovens terão uma vida melhor do que a de seus pais – a média global nesse ponto é de 48%. O percentual no país supera o da Argentina (51%), Estados Unidos (41%) e Alemanha (31%). Chama a atenção a França, onde apenas 19% concordam com a afirmação.
Por outro lado, 61% dos brasileiros acreditam que os jovens teriam mais oportunidades caso se mudassem para outro país – o percentual é semelhante ao da média global, de 62%. Já 50% acreditam que o sistema educacional contribui para reduzir as desigualdades sociais – a média global é de 49%.
Segurança física e digital
Os entrevistados também foram questionado sobre se consideram o Brasil um país seguro para os jovens: 30% afirmaram que sim, um dos resultados mais baixos da pesquisa. A média dos países é de 48%. Nesse ponto, o Brasil se aproxima do Peru (30%), África do Sul (29%) e França (28%). Na outra ponta, estão Singapura (83%), Malásia (75%) e Nova Zelândia (68%).
A preocupação se estende ao ambiente digital: apenas 32% dos brasileiros avaliam que os espaços on-line são seguros para os jovens, enquanto 61% discordam dessa afirmação. Globalmente, 33% consideram esses ambientes seguros e 59%, como inseguros. O levantamento mostra que 67% dos brasileiros apoiam a proibição do uso de redes sociais por crianças menores de 14 anos dentro e fora da escola. O percentual fica abaixo da média global, de 73%.
O tema da inteligência artificial divide mais as opiniões por aqui: 30% defendem que ferramentas de IA sejam proibidas nas escolas, enquanto outros 42% dos brasileiros são contrários à proibição e 28% não têm uma opinião definida.
Confiança no sistema de educação
A pesquisa também levantou o índice de confiança na qualidade do sistema educacional, que no Brasil permanece baixo. Para 32%, a educação no país é boa – a média global é de 33%. Mas uma parcela maior, de 43%, considera o sistema ruim, percentual acima dos 35% na média dos 31 países. Outros 22% classificam a educação brasileira como nem boa nem ruim.
Ao serem perguntados sobre ensino superior, 70% dos brasileiros responderam que um diploma universitário ajuda as pessoas a avançarem na carreira, acima da média global, de 66%. E 61% consideraram a formação universitária muito importante para ter sucesso na vida, 4% acima da média dos países. Só que 48% dos brasileiros avaliam que os diplomas universitários oferecem boa relação entre custo e benefício, abaixo da média global de 57%.
Para 56%, os jovens devem ingressar primeiro na universidade antes de entrar no mercado de trabalho. O percentual é um dos mais altos da pesquisa, que tem como média global 49%. Ao mesmo tempo, 42% dos brasileiros avaliam que o currículo escolar prepara adequadamente os estudantes para as carreiras do futuro, patamar semelhante à média total de 44%.
A pesquisa Education Monitor 2026 foi realizada pela plataforma on-line Global Advisor com adultos entre 16 e 74 anos. No Brasil, a amostra é composta por cerca de mil pessoas. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais.






