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Por que empresas estão abandonando a pauta da diversidade

A redução do engajamento empresarial com pautas inclusivas tem alimentado narrativas negativas nas redes e até em sistemas de IA

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 jun 2026, 21h14 | Atualizado em 26 jun 2026, 21h15
Por que empresas estão abandonando a pauta da diversidade Priorizar nos meus resultados Google

Em entrevista ao VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, Carmen Gardier, gerente de marketing da LATAM LLYC, afirma que a redução do engajamento empresarial com pautas inclusivas tem alimentado narrativas negativas nas redes e até em sistemas de inteligência artificial. (este texto é um resumo do vídeo acima)

Às vésperas do Dia Internacional do Orgulho LGBT, um estudo da consultoria LLYC Brasil acendeu um alerta sobre o enfraquecimento do debate público em torno da diversidade. Segundo o levantamento, empresas vêm reduzindo seu posicionamento público sobre inclusão — movimento que, na avaliação de especialistas, tem contribuído para a expansão de discursos hostis no ambiente digital.

A gerente e responsável pelo Comitê de Diversidade da LYCC Brasil, afirmou que houve um recuo de cerca de um terço no compromisso público das companhias com a pauta. “A conversa sobre esses temas de diversidade começou a diminuir porque muitas empresas deixaram de apoiar com mensagens nas redes sociais e na mídia”, disse.

Por que o debate sobre diversidade perdeu força?

Segundo Garnier, a pesquisa analisou mais de 15 milhões de notícias e mais de 200 milhões de interações em redes sociais. Os dados mostram uma queda expressiva na circulação de mensagens relacionadas à diversidade: o volume caiu de cerca de 27 milhões para aproximadamente 12 milhões.

A retração também atingiu a imprensa. De acordo com a executiva, em 2023 a cobertura midiática sobre diversidade era o dobro da registrada em 2025. Para ela, essa redução de visibilidade enfraqueceu a presença pública de narrativas positivas ligadas à inclusão.

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O silêncio tornou o ambiente mais hostil?

Para Garnier, sim — e de forma preocupante. Ela argumenta que a diminuição da conversa não trouxe pacificação. Ao contrário, abriu espaço para conteúdos mais agressivos e sutis. “A conversa positiva começou a diminuir e isso deixou um vácuo no entorno digital”, afirmou.

Esse espaço, segundo ela, passou a ser ocupado por mensagens hostis, com repercussões diretas nas redes sociais e em ferramentas de inteligência artificial. Sem a presença ativa de empresas no debate, discursos de intolerância ganharam mais alcance e visibilidade.

Qual o papel da inteligência artificial nesse cenário?

Um dos pontos mais sensíveis do estudo envolve o comportamento de sistemas de inteligência artificial. Segundo Garnier, esses sistemas tendem a reproduzir vieses presentes no ambiente digital.

Ela afirmou que, ao associar conceitos como sucesso, independência e realização profissional, ferramentas de IA os vinculam com muito mais frequência a perfis cisgênero e heterossexuais. Já conteúdos relacionados à comunidade LGBT aparecem associados majoritariamente a medo, vulnerabilidade e necessidade de apoio emocional.

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“Hoje, as mensagens relacionadas a um tema e a outro estão moldando percepções”, disse.

O problema é político ou global?

Embora fatores políticos sejam frequentemente apontados como causa da retração, Garnier afirma que os dados sugerem um fenômeno mais amplo. O levantamento analisou 12 países, incluindo Brasil, Estados Unidos, Argentina e Espanha, e encontrou tendências semelhantes em todos eles.

Mesmo em mercados com maior apoio institucional à diversidade, como a Espanha, a cobertura sobre o tema recuou de forma acentuada. Segundo a executiva, isso indica que a mudança não pode ser explicada apenas por conjunturas políticas locais.

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No Brasil, o cenário segue a tendência global. Garnier afirmou que mensagens de ódio contra a comunidade LGBT cresceram de forma consistente nos últimos anos, reforçando a necessidade de ações mais estruturadas.

Como reverter esse quadro?

Para a diretora da LYYC Brasil, a saída passa pela retomada de uma comunicação contínua e responsável por parte das empresas. Mais do que campanhas pontuais, ela defende presença consistente no debate público.

“Uma das conclusões do estudo é que as empresas devem continuar construindo uma comunicação positiva, especialmente nos temas de diversidade e respeito”, afirmou.

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Na avaliação de Garnier, a ausência dessas vozes institucionais tende a aprofundar o desequilíbrio no debate. Em um ambiente cada vez mais mediado por algoritmos, a disputa por narrativa deixou de ser apenas simbólica: tornou-se central para a formação de percepções sociais e para a construção de uma sociedade mais justa.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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