Professor da USP é exonerado por assédio sexual a alunas
Ao menos dezesseis alunas denunciaram José Mauricio Rosolen, que terá um mês para recorrer do veredicto que o demitiu
Um professor do departamento de Química da Universidade de São Paulo (USP), do campus de Ribeirão Preto, foi demitido por conta de denúncias de assédio sexual de ao menos dezesseis alunas contra ele. As vítimas acusam José Mauricio Rosolen, que é bacharel em física, de toques inadequados, convites para viagens e passeios, além de atos de assédio moral depois de elas recusarem as investidas.
Comportamentos de assédio podem ser classificados tanto como o crime de assédio sexual (artigo 216 do Código Penal), que tem uma pena máxima de dois anos e exige a existência de uma relação de hierarquia com a vítima, quanto como importunação sexual (artigo 215-A), que foi criado em 2018 e tem uma pena máxima maior, de até cinco anos.
A exoneração do professor foi publicada no Diário de Justiça do Estado na última segunda-feira, 23. A partir dessa data, Rosolen terá trinta dias para recorrer administrativamente da decisão. Ele também pode, caso o veredicto não seja alterado, levar o caso à Justiça. A reportagem entrou em contato com o docente, que disse, por meio de seus advogados, que recorrerá da decisão (leia a nota da defesa ao final).
O docente ainda pode ser responsabilizado criminalmente pelo episódio. Ele foi investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Ribeirão Preto, que finalizou o inquérito em setembro de 2025, encaminhando o caso à Justiça. O TJSP disse apenas que o caso está em segredo, não esclarecendo se houve ou não denúncia contra Rosolen. Ele já estava afastado do cargo de docente há meses.
Rosolen é doutor em ciências químicas pela Universita Degli Studi Di Roma La Sapienza, na Itália, e trabalhava como livre-docente da USP há 22 anos, desde 2004. De acordo com informações que constam em seu currículo Lattes, ele desenvolvia pesquisas com baterias, envolvendo ações de cooperação internacional.
Outro lado
Em nota enviada à reportagem, os advogados do docente disseram que os episódios de assédio “não correspondem ao histórico acadêmico e institucional construído pelo Professor ao longo de décadas de atuação universitária, marcada por relações respeitosas com alunos e colegas e por contribuição reconhecida à formação científica e tecnológica”.
A defesa de Rosolen disse que ainda não acessou a íntegra do processo administrativo disciplinar e que vai recorrer do veredicto da universidade. Leia trecho da nota a seguir:
As informações recentemente divulgadas sobre o caso não correspondem ao histórico acadêmico e institucional construído pelo Professor ao longo de décadas de atuação universitária, marcada por relações respeitosas com alunos e colegas e por contribuição reconhecida à formação científica e tecnológica. Causou especial surpresa ao Professor o modo como a decisão foi tornada pública antes mesmo de sua ciência formal, circunstância que será examinada pelas vias institucionais adequadas.
Com mais de 60 anos de idade e pai de dois filhos, sendo um deles estudante da própria universidade e uma filha adolescente sob sua responsabilidade direta, o Professor José Maurício Rosolen reafirma sua confiança de que os fatos serão devidamente esclarecidos à luz das provas e com observância das garantias próprias do devido processo.
A defesa adotará as providências administrativas e judiciais cabíveis para o completo esclarecimento da situação e para a preservação da integridade de sua trajetória acadêmica, embora até o presente momento (26.03.2026), mesmo após regularmente solicitado pelos meios rotineiramente utilizados durante todo o PAD, a Universidade de São Paulo não tenha franqueado acesso à integralidade dos autos atualizada, do relatório da Procuradoria ou da ata da reunião da Congregação, prejudicando, assim, a plena defesa.





