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Projeto da ‘Times Square’ paulistana é suspenso pela Justiça de SP

Aprovação para instalação de painéis de LED gigante no centro da capital gerou polêmica por causa da Lei Cidade Limpa, em vigor desde 2007

Por Pedro Jordão Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 Maio 2026, 18h24 | Atualizado em 27 Maio 2026, 18h41
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O projeto Boulevard São João, conhecido como ‘Times Square’ paulistana, foi suspenso por decisão da Justiça do estado de São Paulo emitida nesta quarta-feira, 27, com o argumento de que a instalação de painéis de LED gigantes no cruzamento das avenidas São João e Ipiranga, no centro da capital, é de uma magnitude muito grande e com potencial de dano à toda a população.

A decisão liminar foi dada pela juíza Celina Kiyomi Toyoshima, da quarta Vara da Fazenda Pública, em uma ação popular movida por Angelo Andrea Matarazzo e outros autores, representados pelos advogados Igor Tamasauskas e Maitê Bertaiolli, do Bottini & Tamasauskas Advogados.

A juíza não só determinou a suspensão imediata do projeto — que já havia sido aprovado pela prefeitura — como também a proibição de iniciar quaisquer obras, instalações ou intervenções relacionadas, incluindo a fixação, montagem ou instalação dos painéis de LED nos edifícios Cine Paris República (Av. Ipiranga, 808), Herculano de Almeida (Av. Ipiranga, 890), Galeria Sampa (Av. São João, 604) e New York (Av.Ipiranga,855), além das projeções mapeadas no Edifício Independência II, sob pena de multa diária.

A liminar também determina que a prefeitura apresente a íntegra da minuta do termo de cooperação que levou à aprovação do projeto, a ata completa da reunião da CPPU (Comissão de Proteção à Paisagem Urbana), órgão que aprovou o projeto, os pareceres técnicos da SMUL (Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento), além das informações obtidas em consulta pública.

O projeto é considerado polêmico e foi aprovado quase 20 anos depois da vigência da Lei Cidade Limpa, que proíbe poluição visual na cidade em peças de publicidade.  A aprovação só foi feita com base em uma brecha a legislação, que autoriza a instalação de tais publicidades pelo setor privado, desde que haja contrapartidas para a cidade.

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Outro mecanismo para levar à aprovação foi o fato de a prefeitura afirmar que 70% do conteúdo que seria veiculado durante o funcionamento dos painéis, das cinco horas da manhã até as onze da noite, seria de atividades e eventos culturais e exibição de artes digitais, deixando 30% para patrocínios.

Como contrapartida da instalação dos painéis pela iniciativa privada, haveria uma série de ações de conservação e restauro do patrimônio público da localidade. Estavam previstos cerca de 6 milhões de reais em investimentos, sem custos para o município, para qualificar o trecho entre o Largo do Paissandu e o cruzamento das avenidas.

As melhorias incluíam: a recuperação das fachadas da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e da estátua da Mãe Preta (ambas no Largo do Paissandu), restauro do histórico Relógio de Nichile (Praça Antônio Prado), instalação de novos bancos e lixeiras ao longo da Avenida São João, requalificação de calçadas.

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A descrição da proposta afirma se tratar de “uma iniciativa estratégica de requalificação urbana e ativação tecnológica no coração de São Paulo”, considerando que a região está passando por um momento de transição social. “A nossa proposta busca conciliar a preservação da memória paulistana com novas dinâmicas tecnológicas e de zeladoria”, diz um texto de divulgação. “Esta é uma parceria com a iniciativa privada para transformar a região com arte, modernidade e cuidado com o nosso bem público”.

Segundo sustentado na ação dos advogados, o projeto foi apresentado sob o argumento de promoção de requalificação urbana e valorização do centro histórico, mas representava, na prática, um mecanismo indireto de mitigação das restrições impostas pela Lei Cidade Limpa. “A liminar [que suspende o Boulevard São João] reconhece que não se pode admitir a flexibilização casuística de uma política urbana consolidada, construída para proteção da paisagem urbana e do interesse coletivo, em benefício de interesses econômicos privados. Trata-se da preservação do próprio espírito da legislação, que vinha sendo progressivamente desvirtuado”, diz Igor Tamasauskas.

A Lei Cidade Limpa está em vigor desde 2007 na capital paulista, impedindo que outdoors, painéis e anúncios sejam instalados em edifícios, terrenos e espaços públicos da cidade. Apesar da decisão, ainda cabe recurso.

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