‘PT tem que tirar venda dos olhos e falar sobre STF’, diz Pedro Rousseff
Deputado eleito afirma que apresentou a Lula proposta de reforma do Supremo e defende limites a mandatos de ministros e investigação de integrantes da Corte
O PT precisa discutir abertamente o funcionamento do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo Pedro Rousseff (PT-MG), vereador de Belo Horizonte e deputado federal eleito por Minas Gerais. Em entrevista ao programa Ponto de Vista, de VEJA, ele afirmou que apresentou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma proposta de reforma da Corte e criticou o que considera uma postura de silêncio do partido diante de problemas envolvendo ministros do Supremo.
Rousseff, que se propõe a ser um contraponto a figuras como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) — por meio da atuação nas redes sociais, discursos contundentes e apelo junto aos jovens — foi um dos participantes da reunião desta quarta-feira, 7, com Lula. O encontro reuniu deputados “supervotados” e populares no meio digital com o objetivo de discutir a estratégia da comunicação da campanha nas redes.
O que Pedro Rousseff propôs a Lula?
Segundo o petista, a reforma do Judiciário deveria incluir, entre outras medidas, a limitação dos mandatos dos ministros do STF. “Não dá para um cara ser indicado para a Corte e ficar lá até o final da vida dele”, afirmou. Ele também defendeu que integrantes do Supremo possam ser investigados, argumentando que os ministros não deveriam estar acima das leis aplicadas aos demais brasileiros.
Rousseff disse que levou essas propostas a Lula durante o encontro com integrantes da campanha. Na avaliação do deputado eleito, o PT errou ao evitar o debate sobre o Supremo. “Um grande erro nosso até o dado momento é a gente ter colocado uma venda sobre nossos olhos” sobre os problemas da instituição, afirmou.
Por que o PT precisa mudar de postura?
Para Rousseff, o partido precisa se manifestar sobre o STF para não transmitir a impressão de que concorda com eventuais irregularidades atribuídas a integrantes da Corte. “A gente ficar calado com isso, parece que a gente é complacente”, disse.
O deputado eleito afirmou ainda que a avaliação pública do Supremo se deteriorou nos últimos anos. Ao comentar o tema, comparou a percepção sobre a Corte com a que existe em relação ao Congresso Nacional. “Um grande erro nosso é ter colocado uma venda sobre nossos olhos da grande sacanagem que acontece nessa instituição que, até cinco anos atrás, era talvez a mais respeitada em todo o país e agora tem uma avaliação pior do que o próprio Congresso Nacional, que é um lugar horroroso”, afirmou.
Como a discussão sobre o STF entra na estratégia eleitoral?
A proposta faz parte de uma mudança mais ampla que Rousseff afirma ter defendido para a campanha de Lula no segundo turno. Segundo ele, o encontro serviu para discutir uma alteração na comunicação do candidato e nos temas priorizados.
Entre os pontos apresentados por Rousseff estão mudanças na comunicação pelas redes sociais, uma abordagem mais enfática sobre segurança pública e a apresentação de um projeto para os próximos anos. O deputado eleito também defendeu que Lula participe do maior número possível de debates no segundo turno.
Rousseff afirmou que Lula não apenas ouviu as sugestões, como já teria incorporado algumas delas ao discurso. Na segurança pública, citou como exemplo o lema “para o trabalhador, a proteção; para o bandido, a prisão”. Sobre o Supremo, disse que o presidente também já vem falando publicamente sobre possíveis reformas na Corte.
Por outro lado, como mostra reportagem de VEJA, a reunião não teve o direcionamento inicialmente esperado por eles, que contavam com o petista ouvindo críticas construtivas e repensando estratégias de comunicação digital. Ao contrário, ficou definido apenas que esses novos parlamentares deverão fortalecer a divulgação do que o núcleo duro da comunicação do PT já tem definido, em pautas como a defesa da democracia e o fim da escala de trabalho 6×1.
De novidade concreta para a campanha, Lula apenas ouviu que deve aparecer de forma mais espontânea e constante nas redes.
Para Pedro Rousseff, a mudança de discurso é necessária porque, segundo sua avaliação, a campanha precisa responder ao resultado do primeiro turno. “A gente não pode brigar com as urnas, nós estamos perdendo”, afirmou. Nesse contexto, ele defende que o PT apresente novas propostas e não se limite a falar sobre as realizações dos governos anteriores.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.






