Quem é Gisele Bleggi, procuradora que recebeu ameaças de morte
Profissional apresentou notícia-crime no MPF
A procuradora Gisele Bleggi, do Ministério Público Federal em Sergipe (MPF-SE), acionou a Polícia Federal após ser alvo de ataques nas redes sociais e receber ameaças de morte. A representação foi feita por seu advogado, na última quinta-feira, 12, por meio de notícia-crime sobre a suposta prática de delitos contra a honra.
Formada em Direito e com mestrado em Direitos Humanos, Gisele Bleggi ingressou no MPF em 2010. Ao longo da carreira, construiu atuação principalmente em questões ambientais, urbanísticas e relacionadas à defesa de povos indígenas. Atualmente, integra o 5º Ofício Ambiental do MPF em Sergipe.
Além do trabalho no Ministério Público, Bleggi chama atenção pelo visual pouco convencional para os padrões relacionados à área jurídica. A procuradora usa tatuagens, piercings e dreads, além de já ter adotado cabelos coloridos. Foi sua aparência que se tornou alvo de comentários preconceituosos e misóginos depois da repercussão de uma gravação de uma agenda institucional em Propriá (SE), em março.
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Na ocasião, o vídeo, gravado durante um seminário sobre licenciamento ambiental, ultrapassou 1 milhão de visualizações em menos de 48 horas. No entanto, em vez do conteúdo da fala, os comentários questionavam a capacidade profissional da procuradora devido às suas roupas, tatuagens e cabelos coloridos. Segundo ela, a iniciativa de se tatuar foi para se aproximar do público com quem trabalha. O episódio provocou manifestações de apoio da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), da OAB de Sergipe e de outras autoridades.
A exposição de Bleggi, entretanto, não começou em 2026. Em 2022, quando atuava em Rondônia, também recebeu ameaças após participar de uma ação envolvendo indígenas que bloqueavam uma rodovia em Vilhena. Em 2023, foi removida da Procuradoria da República em Rondônia para a unidade de Sergipe.
No início de agosto deste ano, a ANPR voltou a se manifestar após novos ataques à sua aparência física, formas de se vestir e às declarações sobre licenciamento ambiental. “A difusão de comentários ofensivos e de natureza discriminatória nas redes sociais não apenas atinge a dignidade da Procuradora da República, como também contribui para degradar o ambiente de debate público, substituindo o diálogo democrático pelo constrangimento e pela violência simbólica — e, no caso em tela, também busca deslegitimar e tumultuar o exercício de sua função institucional em matéria de licenciamento ambiental, notadamente, sua argumentação acerca das inconstitucionalidades da Lei 15.130/25″, diz o conteúdo da nota.
Após as ameaças, a procuradora desativou os perfis nas redes sociais. A PF informou que deverá instaurar um inquérito para apurar a autoria e materialidade das manifestações. A coluna GENTE entrou em contato com o MPF/SE, mas ainda não obteve retorno.







