STF define destino de empresário turco-brasileiro opositor de Erdogan
Mustafa Göktepe chegou a ser preso pela PF no ano passado, mas foi libertado depois.
A Primeira Turma do STF decidiu, por unanimidade, rejeitar o pedido de extradição apresentado pelo governo da Turquia contra o empresário turco-brasileiro Mustafa Göktepe.
No ano passado, Göktepe chegou a ser preso pela Polícia Federal, cumprindo ordem do ministro Flávio Dino. Depois, Dino reviu sua posição e liberou o empresário, que vive há mais de 20 anos no Brasil.
Agora, o ministro votou contra a extradição e foi seguido pelos demais integrantes da Primeira Turma: Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.
Para Dino, o pedido apresentado pelo governo turco é composto por “abstração e generalidade” e não tem “individualização clara e precisa da conduta” que teria sido praticada por Göktepe.
Além disso, há um impedimento por ele ter cidadania brasileira.
O empresário foi acusado de ser o representante no brasil da organização FETO/PDY, fundada pelo clérigo Fetullah Gülen, que morreu em 2024.
Gülen é um antigo aliado do presidente da Turquia, Recep Erdoğan, mas rompeu com ele e foi acusado de liderar uma tentativa de golpe em 2016.
O julgamento ocorre no plenário virtual e está programado para terminar nesta sexta-feira.
O advogado Beto Vasconcelos, responsável pela defesa do empresário, comemorou a decisão. “Tínhamos total confiança que o Supremo Tribunal Federal negaria a extradição, uma vez que Mustafa é brasileiro naturalizado, e por se tratar de evidente perseguição por opinião política, com riscos reais de submissão a tribunais de exceção e violações de direitos fundamentais”, afirmou, em nota.







