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Supremo pode liberar cassinos, caça-níqueis e outros jogos de azar

Julgamento que será retomado na tarde desta quinta, 6, analisa se exploração desses jogos está protegida pela livre iniciativa

Por Isabella Alonso Panho Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 ago 2026, 10h37 | Atualizado em 6 ago 2026, 10h56
Supremo pode liberar cassinos, caça-níqueis e outros jogos de azar Priorizar nos meus resultados Google

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) vai continuar nesta quinta-feira, 6, o julgamento sobre a legalidade da exploração de jogos de azar. Dependendo do desfecho da sessão, pode ser liberada a exploração comercial de cassinos, jogo do bicho e caça-níqueis. Hoje, eles estão no campo das contravenções penais (ilícitos mais brandos, com penas leves, que não chegam a ser crimes).

O que está em julgamento é um recurso extraordinário com repercussão geral, ou seja, um caso particular que, conforme foi subindo de instância, foi ganhando mais relevância. O que for decidido nesse julgamento será aplicado a mais de 2. 700 processos sobre o mesmo assunto, que estão paralisados aguardando a decisão do STF. O Senado tem um projeto de lei para regulamentar todos os jogos de azar, ainda pendente de análise do plenário.

O caso começou em 2015, no Rio Grande do Sul. A Justiça gaúcha absolveu um dono de bar de São Leopoldo que possuía caça-níqueis no seu estabelecimento, entendendo que a Constituição de 1988 tirou a exploração de jogos de azar da lista das contravenções e que o homem estaria protegido pelo princípio da livre iniciativa.

O Ministério Público recorreu da decisão e o caso foi parar no Supremo. No início do julgamento, que ocorreu na quarta, 5, a Defensoria Pública e a Associação Nacional dos Prefeitos e Vice-Prefeitos da República Federativa do Brasil (ANPV) argumentaram que hoje, a exploração de jogos de azar não é mais um perigo para a sociedade e defenderam não apenas a absolvição do homem como também que a Justiça, daqui em diante, não condene mais os acusados desse delito.

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A Procuradoria-Geral da República, representada pelo seu chefe Paulo Gonet, argumentou contra, relembrando o quanto os jogos são capazes de provocar vício e endividamento. O relator desse caso é o ministro Luiz Fux, que começou a ler seu voto. Ele deu indícios de que deve compartilhar do mesmo posicionamento da PGR. O magistrado argumentou que a flexibilização da aplicação de contravenções penais só deve acontecer quando houver violação de direitos humanos ou a imposição de penas degradantes.

Em paralelo a esse julgamento, o Supremo também tem sob sua guarda ações que questionam a constitucionalidade das bets. Algumas ações foram apresentadas por entidades do setor produtivo e outra pela própria PGR. Os casos estão sob relatoria de Fux, mas não tiveram andamentos significativos do fim de 2024 para cá.

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