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Trump já sabe que sou melhor que Bolsonaro, diz Lula ao Washington Post

Em entrevista ao jornal americano, Lula afirmou que acredita em negociação com os EUA e se dispôs a mediar até as conversas com o Irã

Por Juliana Elias Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 Maio 2026, 10h39 | Atualizado em 17 Maio 2026, 12h32
Trump já sabe que sou melhor que Bolsonaro, diz Lula ao Washington Post Priorizar nos meus resultados Google

Em uma entrevista publicada neste domingo, 17, no jornal americano The Washington Post, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que acredita na possibilidade de diálogo com o presidente americano, Donald Trump, e disse que não irá desistir de tentar convence-lo a negociar não só a questão das sanções comeciais que impôs ao Brasil, mas também em pontos com suas interações em países como Cuba, Venezuela e até o Irã.

“Se eu consegui fazer o Trump rir, eu consigo outras coisas também. Não se pode simplesmente desistir”, disse Lula ao jornal. “Aqueles que baixam a sua cabeça podem não conseguir mais ergue-la depois. O Brasil tem muito orgulho do que é, e não precisamos nos curvar a ninguém”, acrescentou. Foi a primeira entrevista do presidente brasileiro desde seu encontro com Trump em 8 de maio, em Washington.

Na entrevista, Lula contou que comentou com Trump a respeito da seriedade em seus retratos oficiais pendurados no salão na Casa Branca e disse que era preciso sorrir. Trump, de acordo com Lula, afirmou que as pessoas preferem líderes sérios. “Só nas eleições. Agora que você está governo você pode sorrir”, respondeu Lula.

Lula e Donald Trump durante encontro entre os dois presidentes na Casa Branca (8/05/2026)
Lula em visita à galeira de ex-presidentes da Casa Branca ao lado de Trump (8/05/2026) (Ricardo Stuckert/PR)
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‘Melhor que Bolsonaro’

O petista também afirmou que as conversas recentes e a aproximação a Donald Trump são uma oportunidade de rebater “falsidades” que, de acordo com ele, alimentaram a agressividade tarifária dos Estados Unidos contra o Brasil – Trump chegou a aplicar uma tarifa de 50% sobre as importações americanas de produtos brasileiros, a mais alta do mundo, e creditou a barreira à época ao que chamou de perseguição injusta ao ex-presidente Jair Bolsonaro. “Eu nunca vou dizer a Trump para não gostar de Bolsonaro, isso é um problema dele”, disse Lula. “Eu não preciso fazer nenhum esforço para que veja que eu sou melhor que Bolsonaro. Ele já sabe disso.”

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Esta foi a segunda vez em que Lula esteve presencialmente com Trump, e a primeira nos Estados Unidos, como uma visita oficial ao presidente americano. O primeiro encontro aconteceu em outubro do ano passado, na Malásia. Além disso, ministros dos dois países, bem como os dois presidentes, já tiveram algumas conversas por telefone ao longo do ano passado para tratar da conturbada relação comercial.

O tarifaço de Trump, incluindo as sobretaxas aplicadas ao Brasil, estão atualmente suspensas pela Suprema Corte dos Estados Unidos, que julgou que a decisão unilateral foi feita em desacordo com as leis comerciais do país. O governo Trump, contudo, ainda mantém investigações sobre supostas ações ilegais do Brasil em seu comércio com o mercado norte-americano, o que pode, ainda, resultar em novas tarifas.

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Ao The Washington Post, Lula voltou a reforçar o seu discurso de soberania do Brasil, um escudo contra eventuais intervenções internacionais, e disse acreditar que sua relação pessoal com Trump deve ajudar a evitar novas sanções, bem como garantir respeito à democracia do país. “O presidente Trump sabe que eu sou contra a guerra no Irã, que discordo da intervenção na Venezuela e que condeno o genocídio que está acontecendo na Palestina”, disse o petista. “Mas a minha discordância política com Trump não interfere em nossa relação como chefes de Estado. O que eu quero é que ele trate o Brasil com respeito e que entenda que eu fui um presidente democraticamente eleito aqui.”

 

 

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