YouTube vai detectar e rotular qualquer vídeo realista gerado por IA
O críterio, segundo a plataforma, será o 'fotorrealismo' do conteúdo; usuários poderão checar se foram alvo de deepfakes
O YouTube vai começar a identificar automaticamente e rotular, de forma explícita, todos os vídeos gerados ou alterados por inteligência artificial que tenham características fotorrealistas. O sistema de detecção da plataforma começa a operar já neste mês de maio.
Desde 2024, o YouTube já exige que os criadores de conteúdo informem expressamente o uso de ferramentas de IA generativa em vídeos que representem, de forma verossímil, pessoas e lugares reais em situações fictícias. Com a nova política, qualquer material sintético que possa causar a impressão de realismo terá um rótulo visível, mesmo que não informado pelo autor.
As etiquetas de identificação de IA serão exibidas imediatamente abaixo dos vídeos, ao lado de informações como a data de publicação e os números de visualizações e curtidas. Nos “shorts”, modalidade de vídeos curtos semelhante aos reels do Instagram, o rótulo ficará visível diretamente sobre a publicação.
“A rotulagem explícita se aplica a qualquer conteúdo que considerarmos fotorrealista. Esse é o parâmetro para que as etiquetas sejam utilizadas”, diz Suzana Carlos, chefe de Políticas Públicas do YouTube, em entrevista coletiva realizada na última terça-feira, 26.
Questionada por VEJA sobre regras específicas para deepfakes (simulações realistas) de políticos durante as eleições, Suzana diz que o critério para a rotulagem automática permanece o mesmo: a verossimilhança das imagens. “É menos sobre a pessoa representada e mais sobre o quão fotorrealista é o conteúdo”, afirma a executiva.
Usuários poderão checar se foram alvos de deepfakes
Outra novidade anunciada pelo YouTube é a expansão do sistema de Likeness Detection, ferramenta pela qual os usuários podem checar se eles próprios foram alvos de deepfakes. O mecanismo já estava sendo testado por grupos específicos de pessoas públicas e será disponibilizado a todos os usuários maiores de 18 anos nas próximas semanas.
Para utilizar a ferramenta, os internautas deverão comprovar sua identidade com um documento oficial do governo e uma selfie. O sistema é restrito a consultas sobre o próprio usuário. Caso um deepfake seja detectado, o indivíduo poderá solicitar ao YouTube que remova o vídeo — a derrubada do conteúdo, no entanto, só ocorrerá se o material violar as políticas internas da plataforma.
Segundo Amjad Hanif, vice-presidente global de Produtos para Criadores do YouTube, os pedidos de remoção serão revisados para comprovar se o vídeo em questão foi realmente manipulado por IA — a preocupação existe, segundo ele, para evitar que alguém acuse um conteúdo real de ser sinteticamente alterado. “a remoção deve ocorrer apenas se o material corresponde a um uso sintético do seu rosto”, diz Amjad Hanif.





