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A verdade sobre o ‘Peixe do Juízo Final’, encontrado pela terceira vez

Vivendo em profundidades abissais, a espécie tem a má fama de prenunciar tragédias quando aparece na superfície

Por Marília Monitchele Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 nov 2024, 19h04 | Atualizado em 21 nov 2024, 22h57
A verdade sobre o ‘Peixe do Juízo Final’, encontrado pela terceira vez Priorizar nos meus resultados Google

Há poucos dias, um peixe-remo foi encontrado na costa de Encinitas, na  Califórnia. Conhecido como “peixe do juízo final”, devido a sua má fama de ser mensageiro de desastres, essa foi a terceira vez que a espécie apareceu nas águas superficiais do estado nos últimos três meses. Para se ter uma ideia de sua raridade, apenas 22 registros semelhantes foram documentados no mundo ao longo do último século.

O Regalecus glesne, é um habitante das profundezas oceânicas, vivendo na zona mesopelágica, a até 1.000 metros abaixo da superfície, onde a luz do sol não chega. Com um corpo prateado e alongado que pode atingir até 9 metros de comprimento, esse gigante parece saído de uma obra de ficção científica.

O exemplar mais recente, com 2,7 metros, foi encontrado no dia 6 de novembro por uma pesquisadora do Instituto de Oceanografia Scripps, da Universidade da Califórnia em San Diego. Já sem vida, o animal foi recolhido pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês) e transportado para o Centro de Ciências Pesqueiras do Sudoeste, segundo informações divulgadas na página do Facebook do Scripps.

Um “Presságio” das Profundezas

A lenda do peixe-remo como preditor de catástrofes ganhou força após o terremoto seguido de tsunami, em 2011 no Japão, quando cerca de 20 exemplares apareceram nas costas do país antes de um dos maiores desastres da história recente. Isso fez com que muitos atribuíssem os aparecimentos à atividades tectônicas anormais.

Contudo, um estudo publicado em 2019 na GeoScience não encontrou evidências científicas que comprovem essa conexão. Pesquisadores apontam que fatores como mudanças nas condições oceânicas ou um possível aumento na população da espécie poderiam explicar os avistamentos.

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Conhecendo o Desconhecido

Os peixes-remo raramente são vistos vivos. Isso porque geralmente só deixam seus habitats profundos em situações extremas. Em agosto, um exemplar de 3,6 metros foi encontrado em La Jolla Cove, próximo a cânions subaquáticos que canalizam águas profundas para a costa de San Diego. Em setembro, outro foi descoberto em Huntington Beach, embora estivesse em estado avançado de decomposição. As causas dessas mortes permanecem incertas. Fenômenos como marés vermelhas e ventos fortes são hipóteses levantadas por especialistas.

Uma Janela de oportunidade

Apesar da reputação sombria, as aparições do peixe-remo têm permitido avanços no estudo da espécie. O exemplar mais recente, por exemplo, será submetido a análises genômicas que podem revelar importantes adaptações evolutivas responsáveis por sua sobrevivência em ambientes abissais.

Com sorte, esses estudos trarão novidades científicas  — e, quem sabe, dissipem um pouco do misticismo que envolve esse gigante das profundezas.

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