Cientista desenvolve o copo perfeito para cerveja
Especialista em mecânica de fluídos desenvolve recipiente que mantém a temperatura do líquido
Chegou o fim de semana, quando os botecos enchem, e os amigos se reúnem em torno de uma cerveja bem gelada. O hábito de degustar a bebida sempre em baixa temperatura é um costume tropical, bem diferente do europeu, por exemplo. Com o verão extremo, o desafio de mantê-la gelada no copo até o último gole fica cad vez mais difícil. Mas qual o melhor formato de copo para isso ? Nenhum que está aí é adequado, segundo uma pesquisa cientifica recente. Baseado em equações matemáticas para descrever a transferência de calor entre o copo e o ambiente, o engenheiro mecânico Claudio Pellegrini, da Universidade Federal de São João Del Rei, desenvolveu o copo perfeito: que mantém o líquido gelado por muito mais tempo. Aviso aos beberrões de plantão: tulipa, taça (pint) ou o famoso copo americano de boteco serão aposentados, em breve, se a invenção do pesquisador pegar.
O novo formato é intrigante: a partir de uma base estreita, corpo fino e alongado, ele só se amplia em direção à boca (tem a chamada boca de corneta). Taças bojudas na base, segundo o autor da pesquisa, são inadequadas. Isso porque a transferência de calor diminui à medida que a quantidade de cerveja no recipiente diminui em razão do consumo. Os modelos com boca de corneta reduzem a troca térmica porque a cerveja fica mais tempo na base, que por ser mais estreita tem menor contato com o meio ambiente.
Pellegrine fixou o estudo em cima apenas da temperatura trocada entre o líquido e o ar. Desconsiderou outras variáveis que impactam, como o calor das mãos, e a espuma da cerveja. O material do copo testado é o vidro e nenhum outro que tenha objetivo de ser térmico. Deste tipo já há vários modelos no mercado, como o Stanley, que tem camada dupla de vidro separadas pelo vácuo.
O engenheiro ainda avaliou cada copo que existe no mercado. Sobre o americano, o mais popular e usado, ele considera eficiente, por uma razão: é pequeno e a cerveja não dura no copo o tempo suficiente para esquentar. Bem-humorada, a pesquisa pode até parecer banal, mas mostra que a ciência também tem função muito prática e mundana. De fato, o resultado pode servir para orientar os fabricantes, que queiram atrair cervejeiros ávidos por sempre melhorar a experiência da degustação.
Leia:
+https://beta-develop.veja.abril.com.br/noticias-sobre/copo-de-cerveja#google_vignette
+https://beta-develop.veja.abril.com.br/coluna/veja-gente/chefs-dao-dicas-para-escolher-a-melhor-cerveja/






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