Como cresce a longa presa em espiral do ‘unicórnio do mar’, o narval
Estudo da Nature buscou responder como a presa reta, longa e em hélice dos animais se forma
No Ártico, um dos mamíferos marinhos que mais se destacam pela paisagem é o narval. Da família das baleias, o cetáceo é um dos mais diferentes de todos os seus “primos” por uma característica única: a presa de até dois metros que cresce a partir de sua cabeça, estrutura que garante seus outros nomes, como “unicórnio do mar”. A estrutura tem intrigado cientistas pelo mundo, e um estudo recente da Nature Communications apresenta uma série de análises sobre a formação de sua característica hélice alinhada à esquerda, e o motivo pelo qual ele permanece tão reto.
Os narvais são criaturas antigas. Durante o século 17, o rei da Dinamarca e Noruega Frederico III exigiu a criação de um trono para si feito unicamente das presas de narvais, como forma de consolidar seu poder. Em outros contextos, o povo indígena Inuit tem contato com os animais há pelo menos 800 anos, período em que o caçaram como forma de alimentação.
Por décadas, o formato da presa intrigou a ciência, pelo fato de ser tão longo (chega a até dois metros de comprimento), tão reto e por ter uma formação característica em hélice alinhada à esquerda. Com tais dúvidas em mente, a equipe de pesquisadores da Universidade de Aarhus resolveu investigar o fato e entender como essa estrutura tão característica e única entre os animais consegue ser formada.
Através de múltiplos métodos de mapeamento por imagens, a equipe compreendeu como a estrutura se forma e cresce com o passar dos anos. A presa dos narvais é formada, principalmente, por três características: um espaço oco interno, dentina (a maior parte do conteúdo do lado de dentro) e cemento (uma fina camada por fora). Os últimos dois são estruturas comumente encontradas nos dentes humanos, em uma disposição similar.
A presa dos narvais é uma formação com grande perfeição mecânica por causa de suas bases fundamentais, o colágeno mineralizado responsável pela estrutura em nível microscópico. Após diversas análises, o estudo conclui que o segredo por trás da presa tão reta e longa — característica única no reino animal — está na orientação das fibras de colágeno.
Durante o momento de formação da presa, as fibras de colágeno permanecem geralmente retas, mas com leves alterações de posição. Essas pequenas alterações acontecem em lados opostos a depender da estrutura interna formada pelas fibras. No caso da dentina, parte proeminente e interior do “dente” dos narvais, cresce em formato de hélice alinhada à direita, enquanto o cemento, parte exterior, cresce também em formato de hélice, mas alinhado à esquerda. De acordo com o estudo, é essa dualidade que garante a retidão da estrutura e seu alongamento com o passar dos anos.
A descoberta é um avanço para maior compreensão dos animais na ciência, mas outras pesquisas ainda serão necessárias, de acordo com o estudo, para que os acadêmicos possam compreender como a presa é construída durante a formação dos cetáceos, por exemplo.







