David Attenborough: os 100 anos do maior documentarista da natureza
Naturalista inglês apresentou programas de sucesso sobre conscientização climática e preservação ambiental
O documentarista David Attenborough completa um século de vida nesta sexta, 8. O naturalista tornou-se uma referência na apresentação de documentários sobre a natureza e conscientização sobre questões ambientais. Em mais de 70 anos de experiência, passeou por florestas ao fundo do oceano, se enturmou com uma família de gorilas, visitou tribos isoladas, foi duplamente condecorado pela realeza inglesa e continua dando voz à causa da preservação do meio ambiente.
Natural da vila de Isleworth, no oeste de Londres, David cresceu passeando junto do seu irmão Richard (vencedor do Oscar de Melhor Direção, falecido em 2014) pelo campus da Universidade de Leicester, onde seu pai era diretor. Formou-se em 1947, em Ciências Naturais na Universidade de Cambridge e prestou dois anos de serviço militar na Marinha Britânica.
Entrou para o mundo televisivo em 1952 como trainee na BBC. Attenborough não demorou a colocar em prática sua curiosidade e criatividade para contar histórias do mundo natural: apresentou a pioneira série “Zoo Quest” de 1954, que combinava gravações no estúdio e em campo, levando animais como chimpanzés, pitons e pássaros pela primeira vez à televisão do público.
Já como personalidade de TV reconhecida, levou uma cacatua ao jovem Príncipe Charles e sua irmã Anne. Em 2023, admitiu que o pássaro tinha um “bico muito poderoso e uma mordida muito poderosa.” Ele disse à BBC antes da coroação de Charles como rei, que “embora eu estivesse bastante confiante em relação ao Cocky, ele poderia realmente ter arrancado o dedo mindinho do Charles.”
David Attenborough também foi importante no mundo televisivo por ter comandado a primeira transmissão colorida na Europa, quando estava à frente do canal 2 da BBC em 1965. Como diretor de programas, encomendou o que se tornaria fenômeno internacional de comédia Monty Python, estrelado por John Cleese, Michael Palin, Terry Jones, Eric Idle, Graham Chapman e Terry Gilliam.
Lançado em 1971, o documentário A Blank on the Map mostrou o apresentador entrando em contato com a tribo Biami, até então isolada na Nova Guiné. O inglês se comunicou através de gestos e pode ver os ornamentos pessoais dos nativos.
Habitat natural
A paixão de Attenborough falou mais alto, e ele abriu mão do cargo de direção em 1972 para se dedicar por completo aos seus programas do mundo natural. Mais uma vez, foi pioneiro em apresentar o primeiro programa a viajar pelo mundo para filmar os animais em seus habitats naturais. Lançado em 1979, A Vida na Terra foi um sucesso com estimativa de 500 milhões de espectadores no mundo todo.
Em uma das gravações, teve um encontro memorável com uma família de gorilas nas montanhas Virunga, em Ruanda. Um gorila de três anos, depois apelidado de Pablo, se afeiçoou a David Attenborough e chegou a sentar no colo do visitante humano. A história rendeu o documentário A História de um Gorila, lançado no último mês, que acompanhou a vida dos primatas descendentes do jovem Pablo.
Outro sucesso assinado por Sir. David foi a série Planeta Azul (2001) que revelou imagens inéditas de raras criaturas marinhas. Animais do fundo dos oceanos foram registrados em vídeo pela primeira vez, como o polvo-dumbo e o peixe-pescador (anglerfish), também conhecido como diabo do mar.
Ainda debaixo d’água, fez o mergulho mais profundo na Grande Barreira de Corais na Austrália em 2015 em mais um ato inédito ao registrar imagens em vídeo da região.
Na era do streaming, Attenborough continuou fazendo sucesso. Em 2019, narrou a série Nosso Planeta, vencedora do Emmy, com histórias do mundo animal. Mais recentemente, em 2022, também deu voz a Planeta Pré-Histórico na Apple TV, e neste ano segue na ativa com o documentário sobre os gorilas nas montanhas de Ruanda.
Voz da preservação
David sempre admitiu que não começou a fazer os programas sobre a natureza com a conversação em mente, e sim o fascínio pelo assunto. Com o passar do tempo, porém, abraçou a causa, pois os animais, plantas e habitats que tanto admirava estavam sob risco. “Ao longo da minha vida encontrei algumas das espécies animais mais extraordinárias do planeta”, disse no documentário Extinction: The Facts da BBC de 2020. “Só agora percebo a sorte que tive. Muitas destas maravilhas parecem prestes a desaparecer para sempre.”
Por sua contribuição para a televisão britânica e a conservação, recebeu foi condecorado cavaleiro não uma, mas duas vezes pela Coroa. Em 1985, a Rainha Elizabeth II, com quem manteve uma longa amizade, o declarou Sir., e em 2022, o Rei Charles o concedeu o prestigioso título de Cavaleiro da Grã-Cruz, grau mais alto em muitas ordens de cavalaria.
No mesmo ano, a ONU também o reconheceu por sua obra com o Prêmio Campeões da Terra, e foi um dos indicados ao Prêmio Nobel da Paz, junto do Papa Francisco e da Organização Mundial da Saúde (OMS).







