Na costa canadense, ilha flutuante desaparece e reaparece, causando surpresa
A principal hipótese é que não se trata de uma massa de terra convencional, mas sim uma balsa flutuante de detritos orgânicos
Uma ilha flutuante coberta de árvores no Lago Williston, na Colúmbia Britânica, costa oeste do Canadá, atraiu a atenção mundial após aparecer, desaparecer e reaparecer ao longo de várias semanas no verão do Hemisfério Norte.
A ilha foi confirmada inicialmente por imagens de satélite datadas de 21 de julho, flutuando na parte principal do Reservatório Williston — um lago artificial no Rio Peace, a cerca de 100 quilômetros a oeste da Represa W.A.C. Bennett —, embora nenhum vestígio dela tenha aparecido nas passagens de satélite de 16 de julho ou 5 de agosto.
Em 5 de agosto, a ilha havia desaparecido completamente dos dados de satélite. Então, dez dias depois, novas imagens registraram a ilha encostada na margem, a mais de 30 quilômetros de sua localização original.
A ilha reapareceu em 1º de setembro, sendo avistada perto da margem onde o Rio Ospika deságua no lago, aproximadamente 30 quilômetros a noroeste de onde havia sido vista pela última vez. Com base nos dados de satélite, a ilha mede aproximadamente 140 metros de comprimento e 70 metros de largura — uma área equivalente a cerca de dois campos de futebol americano.
O geólogo John Joseph Clague, professor de ciências da Terra na Universidade Simon Fraser e cientista emérito do Serviço Geológico do Canadá, disse que também havia descartado inicialmente os relatos como uma “jogada de marketing com IA”, mas agora está convencido de que a ilha é real, embora intrigado com suas origens.
A principal hipótese é que a ilha não é uma massa de terra convencional, mas sim uma balsa flutuante de detritos orgânicos — madeira à deriva acumulada na margem ao longo dos anos, com plantas e árvores criando raízes no material em decomposição. Acredita-se que os níveis recordes de água no reservatório em 2026, decorrentes do grande acúmulo de neve no inverno e de tempestades de verão, tenham desprendido a massa da margem — sendo esta a primeira vez que o reservatório atingiu tais níveis desde 2012. Ventos fortes também teriam contribuído para o seu deslocamento pelo lago.
Autoridades alertaram os navegadores para que se mantenham afastados da ilha, descrevendo-a como naturalmente instável e potencialmente perigosa para desembarque. A agência de águas canadense informou que continuará monitorando a ilha em busca de novos movimentos, e que pesquisadores poderão tentar estudá-la nas próximas semanas. Rocky Avery, um morador local cujo amigo fotografou a ilha pela primeira vez perto da cidade de Mackenzie, disse que vive na região há mais de 48 anos e nunca viu nada parecido. Membros da Primeira Nação Tsay Keh Dene também confirmaram, de forma independente, o reaparecimento da ilha.







