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O que está por trás das alterações dramáticas no comportamento das borboletas

Estudo demonstra que muitas espécies de voo gracioso estão migrando para outros hábitats em razão do aquecimento global

Por Natalia Tiemi Hanada Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 15 ago 2026, 08h00 | Atualizado em 17 ago 2026, 10h16
O que está por trás das alterações dramáticas no comportamento das borboletas Priorizar nos meus resultados Google

“O bater das asas de uma borboleta no Brasil pode causar um furacão no Texas.” A frase do meteorologista americano Edward Lorenz (1917-2008) sintetiza um dos postulados de sua Teoria do Caos — segundo o qual um pequeno evento fortuito em determinada parte do planeta pode desencadear consequências ambientais até em lugares distantes. O chamado “efeito borboleta” do imaginário popular é uma metáfora, evidentemente. Mas pode ser lido como alerta diante de novas descobertas sobre o inseto de asas coloridas e voo gracioso. Publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution, um trabalho de biólogos da Universidade Monash, na Austrália, apontou que as mudanças climáticas estão levando a alterações dramáticas no comportamento das borboletas ao redor do mundo.

O levantamento, que condensa dados de pesquisas sobre 1 758 espécies em 105 países, mostra que as mudanças de temperatura e degradações do meio ambiente estão levando as borboletas a migrar de seus hábitats originais. O deslocamento atinge 79% dos casos analisados e a causa inequívoca é a nova realidade climática da Terra.

Os efeitos disso são profundos. “Temperaturas mais elevadas podem permitir que algumas espécies sobrevivam em locais que antes eram frios demais e prolongar sua estação reprodutiva”, afirma Shawan Chowdhury, autor principal do estudo e chefe do Laboratório Global Change Ecology. O pesquisador, porém, afirma que o impacto positivo sobre as populações de algumas borboletas não é necessariamente bom, já que pode implicar contração de outras espécies na região invadida, o que ocorreu com 27% das borboletas analisadas. “Se as populações remanescentes se tornarem pequenas, isoladas ou expostas a ameaças, o risco de extinção pode aumentar”, alerta Chowdhury.

VIDA FUGAZ - O bichinho voador: um papel essencial
VIDA FUGAZ – O bichinho voador: um papel essencial (Robert Pickett/Getty Images)
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O Brasil faz parte do novo mapeamento. Casa de 3 500 das cerca de 20 000 espécies de borboletas do mundo, o país é representado pelos estudos sob comando de André Freitas, professor titular do Instituto de Biologia da Unicamp. Além do valor inestimável das borboletas para a polinização das plantas, o docente destaca a importância delas no ecossistema como base da cadeia alimentar — seus ovos e lagartas são alimento para outros insetos, aves e pequenos mamíferos. O fator que as torna ainda mais essenciais é que funcionam como indicadores biológicos. “Elas mostram que um lugar está mudando antes de nós percebermos”, diz o professor. As borboletas têm vida fugaz, de poucas semanas, e muitas vezes nos passam despercebidas. Mas não se engane: quando elas batem as asas em fuga, é bom o planeta inteiro se preocupar.

Publicado em VEJA de 14 de agosto de 2026, edição nº 3008

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