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O que são as ‘escamas de dragão’ encontradas no solo de Marte

As imagens foram feitas em 13 de abril, nas proximidades de uma cratera chamada Antofagasta

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 abr 2026, 14h30 | Atualizado em 29 abr 2026, 10h00
O que são as ‘escamas de dragão’ encontradas no solo de Marte Priorizar nos meus resultados Google

O robô Curiosity, enviado pela Nasa para explorar Marte, registrou vastas extensões de rochas cobertas por um padrão geométrico que lembra escamas de crocodilo — ou, para os mais criativos, de um dragão. As imagens foram feitas em 13 de abril, nas proximidades de uma cratera chamada Antofagasta, e logo chamaram a atenção de cientistas do mundo inteiro.

As rochas fotografadas apresentam rachaduras regulares que formam polígonos — figuras geométricas de vários lados — dispostos lado a lado, como peças de um quebra-cabeça. A equipe da Nasa batizou o fenômeno de “polígonos em forma de colmeia”. A cientista planetária Abigail Fraeman explicou que esse tipo de padrão já havia sido observado antes em Marte, mas nunca em tamanha quantidade: as “escamas” se estendem pelo solo por metros e metros.

Foto da superfície de Marte capturada pelo Rover Curiosity
Foto da superfície de Marte capturada pelo Rover Curiosity (NASA/JPL-Caltech/MSSS/Kevin M. Gill/Nasa)

Na Terra, formações parecidas surgem em solos que secam e molham repetidamente ao longo do tempo. Esse ciclo cria tensão na superfície, que então racha — como acontece com lama seca em dias quentes. Em Marte, a presença desse padrão sugere que, há cerca de 3,6 a 3,8 bilhões de anos, o planeta pode ter tido um clima bem mais quente e úmido do que o deserto gelado que conhecemos hoje.

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Com o tempo, minerais mais resistentes foram preenchendo essas rachaduras antigas. Quando o vento marciano foi corroendo a rocha ao redor, esses “filetes” minerais permaneceram em pé — criando o relevo em escamas visível nas fotos.

O que os cientistas buscam?

A equipe tentou perfurar o interior da cratera Antofagasta, mas desistiu ao perceber que o fundo arenoso poderia fazer o rover afundar. Ainda assim, as bordas da cratera se mostraram igualmente ricas: o Curiosity usou câmeras de alta precisão e instrumentos químicos para analisar em detalhe as rochas poligonais.

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Foto da superfície de Marte capturada pelo Rover Curiosity
Foto da superfície de Marte capturada pelo Rover Curiosity (NASA/JPL-Caltech/MSSS/Kevin M. Gill/Nasa)

O interesse científico vai além do visual. A região foi escolhida porque os especialistas acreditam que ela pode guardar compostos orgânicos — substâncias químicas consideradas ingredientes fundamentais para o surgimento da vida. Os dados coletados ainda estão sendo analisados, mas prometem revelar mais sobre a composição dos minerais e sobre o passado aquoso de Marte.

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E as ‘ilusões’ em Marte?

Não é a primeira vez que rochas marcianas provocam a imaginação das pessoas. Existe um fenômeno psicológico chamado pareidolia: a tendência humana de enxergar formas familiares — rostos, animais, objetos — em padrões aleatórios. As “escamas de dragão” são um exemplo claro disso. Para a ciência, porém, o que importa não é a semelhança com criaturas míticas, mas o que esses padrões revelam sobre a história geológica e climática do planeta vermelho.

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