Os novos avanços da ciência para a ‘ressurreição’ do dodô
Empresa Colossal Biosciences tem pesquisas voltadas à ressurreição de outros animais como o mamute-lanoso, o lobo-da-tasmânia e o antílope-azul
Extinto no século 17 pela ação humana, o dodô é uma dos grandes exemplos do que a caça e destruição irrestrita de um animal pode causar à espécie. Apesar de ser visto hoje como um “fóssil”, disponível apenas em estátuas de museus, a ciência pode ter dado mais um passo à frente na tentativa de “desextinguí-lo”, ao menos segundo a empresa de biotecnologia americana Colossal Biosciences.
A Colossal Biosciences revelou nesta quinta-feira, 15, que utilizou uma nova inteligência artificial (IA) para identificar quais eram as mudanças genéticas responsáveis pelo formato distinto do crânio dos dodôs. A investigação faz parte dos esforços da empresa para trazer a ave “de volta à vida”, a partir de seu “parente” ainda vivo mais próximo, o pombo-de-nicobar, e entregá-la ao seu território original: as Ilhas Maurício, na parte oriental da África, perto de Madagascar.
A empresa não definiu uma data para que o animal volte ao mundo, mas já declarou que está na fase final de análise do genoma do dodô, agora 95% completo. “O dodô é o maior símbolo mundial de extinção causada pela humanidade. Ele desapareceu após décadas da chegada dos homens nas Ilhas Maurício, em grande parte pela introdução de espécies invasivas como ratos e outros animais”, explica o CEO da Colossal, Ben Lamm à Reuters.
A empresa já é conhecida pela ciência por outras tentativas de desextinção de animais antigos. O exemplo mais proeminente foi o caso dos lobos-terríveis (Aenocyon dirus), em 2025. À época, o anúncio do nascimento de filhotes de lobos trouxe agitação e consternação à biologia. Muitos defendiam o “avanço”, enquanto grande parte da área explicava que não havia como trazer o animal de volta à vida. Além dos lobos, a Colossal também pretende ressuscitar o mamute-lanoso, o lobo-da-tasmânia, o antílope-azul e as moas, um tipo de ave não voadora.
A Inteligência Artificial
A Colossal desenvolveu um modelo próprio de IA, chamado de GenoMorph. A plataforma serve para reconstruir todo o genoma dos dodôs, já que essa informação sobre animais antigos costuma estar picotada. “O desafio está no fato de que os cientistas só tinham o genoma completo de um dodô, o que dificulta a distinção entre características que fazem o dodô único e variação genética comum”, explica Lamm.
O GenoMorph serve para resolver a dificuldade: ele atua como um “mapa do tesouro” para o genoma, e afunila “centenas de milhares” de mudanças genéticas que possam, da maneira mais provável, explicar as características distintas do animal, em especial seu crânio e bico. Como não é possível comparar vários genomas dos dodôs, o GenoMorph analisa como os crânios e bicos foram desenvolvidos geneticamente através de mais de 70 espécies ainda vivas, e aprende os fatores que controlam o resultado físico e real.
O dodô no mundo de hoje
O dodô (Raphus cucullatus) era uma ave com cerca de um metro de altura, e pesava por volta de 23 kg. Natural das Ilhas Maurício, ele nunca teve contato com seres humanos até a chegada de indivíduos no local durante o século 16. Foi a caça e a chegada de espécies predadoras que levaram os dodôs ao seu fim, com o último espécime avistado em 1662.
A Colossal tem uma colônia de pombos-de-nicobar no Texas, atualmente com 36 indivíduos. A empresa tem trabalhado com cientistas das Ilhas Maurício e grupos de conservação na tentativa de trazer o animal de volta ao seu habitat original. Para Lamm, “Fazer com que as Ilhas Maurício estejam prontas para os dodôs também significa remover predadores invasores e restaurar o habitat”.






