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Pesquisadores de Portugal e da UFJF explicam acertos de Chico Xavier

Estudo sobre médium brasileiro reuniu acadêmicos de Portugal e da UFJF

Por Nara Boechat Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 abr 2026, 17h00 | Atualizado em 13 abr 2026, 09h05
Pesquisadores de Portugal e da UFJF explicam acertos de Chico Xavier Priorizar nos meus resultados Google

Décadas depois de uma sessão mediúnica rara, registrada em um áudio de 54 minutos, o nome de Chico Xavier (1910-2002) voltou ao centro de um debate que ultrapassa a fé e avança para o território da ciência. Pesquisadores de Portugal e da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) analisaram minuciosamente a gravação do encontro do médium com o dirigente espírita português Isidoro Duarte Santos e chegaram a um dado que chama atenção até dos mais céticos: cerca de 88% das informações verificáveis apresentadas estavam corretas. Se, em um primeiro momento, o impacto veio dos números, agora o foco recai sobre o que pode explicá-los.

O registro reúne diferentes produções mediúnicas, incluindo uma carta atribuída a uma pessoa falecida, dois poemas atribuídos a autores portugueses e descrições verbais de personalidades, vivas ou mortas. Responsável pela maior parte deste levantamento e primeiro autor do artigo Análise da Ocorrência de Recepção Anômala de Informação Mediúnica: O Caso Chico Xavier e Isidoro Santos, publicado na revista científica Explore, Carlos Miguel Pereira explica à coluna GENTE que o acesso ao material revelou um documento incomum. Isso porque permite acompanhar, de forma contínua, o que foi dito durante a sessão, algo raro nesse tipo de registro histórico, abrindo espaço para uma análise mais rigorosa.

“Verificamos que reunia características pouco comuns. As informações incluíam dados íntimos e detalhados relacionados a dezenas de pessoas. Além disso, o visitante português vinha de um contexto geográfico e social distante, o que tornava menos plausível o acesso prévio a parte dessas informações por vias convencionais”, afirma o pesquisador.

No áudio, Chico Xavier menciona cerca de 30 pessoas, sendo 18 já falecidas, todas ligadas a Isidoro. A partir desse material, o grupo iniciou uma investigação que se estendeu por cerca de dois anos para rastrear possíveis fontes dessas informações. Foram analisados documentos escritos, realizadas entrevistas com familiares e conduzidas buscas em jornais e revistas da época, no Brasil e em Portugal, incluindo acervos da Biblioteca Nacional. A pesquisa foi estruturada em duas etapas: primeiro, verificar a veracidade dos dados; depois, avaliar se poderiam ter sido obtidos por meios convencionais, incluindo hipóteses de fraude, deliberada ou não.

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Ao final, os pesquisadores identificaram 65 itens de informação verificável, como nomes, datas, locais, relações pessoais e características físicas. “Conseguimos confirmar que 87,7% das informações eram corretas, apenas 3% incorretas e 30,8% de informações altamente improváveis de ter acesso por meios convencionais. Em certos casos, eram informações muito pessoais dos falecidos, como quando uma pessoa passava férias com a esposa, já falecida, em uma praia específica”, conta o professor Alexander Moreira-Almeida, coordenador do estudo e do Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde (NUPES) da Faculdade de Medicina da UFJF. Dos 65 itens verificados, somente 2 casos foram considerados erros: “A menção de uma pessoa que supostamente morava no Porto, o que não se confirmou. Outro caso envolve o nome Laura, mas também não foi confirmado”.

Para Moreira-Almeida, que também investiga outros médiuns, como Divaldo Franco, os resultados reforçam a hipótese de que Chico Xavier apresentava “habilidades excepcionais”, ainda que sem oferecer uma explicação definitiva para sua origem. Já Carlos Miguel Pereira chama atenção para o papel do estudo dentro do campo científico: mais do que validar crenças, a pesquisa organiza e testa evidências com método, ao excluir tudo o que poderia ser acessado por vias convencionais. “Não pretendemos oferecer conclusões definitivas sobre a natureza do fenômeno mediúnico, mas sim contribuir com evidência histórica documentada e analisada de forma sistemática para um debate científico ainda em aberto sobre a origem de certos tipos de informação em contextos mediúnicos”, finaliza.

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