S301: A estrela mais rápida da Via Láctea que orbita um buraco negro supermassivo
Astro S301 pode chegar a 25.000 km/h e é a única estrela conhecida a se aproximar tanto do buraco negro principal da galáxia, o Sagitário A
A Via Láctea, galáxia em que reside o Sistema Solar e dentro dele a Terra, tem em seu centro um buraco negro super massivo, organismo espacial que, pouco a pouco, puxa os milhares de planetas, estrelas e cometas para si. Dentre esses vários corpos celestes, um se destaca. A estrela S301, conhecida por ser a mais rápida de nossa galáxia, orbita exatamente esse buraco negro supermassivo, e está sempre tão perto dele que o astro consegue sentir a rotação do buraco negro toda vez que passa por ele.
O novo estudo que analisa esse fato foi realizado por astrônomos do Observatório Espacial do Sul (ESO), e publicado recentemente na revista Nature. Os pesquisadores usaram o Interferômetro do Very Large Telescope (VLTI) do ESO, que reside no Observatório de Paranal, no Chile, para observarem a rota de órbita da estrela, que atinge até 25.000 km/h ao “passear” ao redor do buraco negro com massa de quatro milhões de Sóis, chamado de Sagitário A. A S301 foi identificada com grande custo, já que sua distância da Terra é gigantesca. Em comparação com a Betelgeuse, estrela da constelação de Órion, a S301 é dois bilhões de vezes mais fraca que a primeira.
Sua primeira identificação com o VLTI aconteceu em 2023 e os pesquisadores têm seguido a estrela desde então. De acordo com eles, por causa das características da órbita da estrela e pelo fato de que astros não conseguem se formar perto de buracos negros, a S301 muito provavelmente foi formada em outra região, teve um parceiro de órbita e acabou na situação de alta velocidade após sua dupla ser engolida pelo buraco negro.
A característica especial da estrela está não na velocidade, mas em sua proximidade com o buraco negro. A distância dela para a formação central da galáxia é “apenas” 12 vezes a distância da Terra para o Sol. Apesar de parecer algo muito grande, para os termos de tamanho do universo, é uma distância ínfima. É a partir dessa proximidade que os astrônomos podem estudar um outro fenômeno: a rotação de um buraco negro.
Como todas as coisas que passeiam pelo universo, a ciência assume que os buracos negros também tem uma rotação própria. Apesar disso, por causa da distância, é muito difícil compreender a força da rotação do buraco negro central da galáxia, o Sagitário A. Por isso a órbita da estrela S301 é importante. Dada sua proximidade com o centro da Via Láctea — que chega a fazer com que a estrela sinta essa força — os pesquisadores conseguirão analisar com mais facilidade como funcionam as dinâmicas do Sagitário A.
O desejo de medir o desejo dessa rotação não é por acaso. Muito antes da descoberta desta semana, Einstein já havia postulado sua Teoria da Relatividade, que dita como um buraco negro que rotaciona impacta o espaço-tempo ao seu redor e o torce, o que modifica as órbitas de estrelas ao seu redor. “Pela primeira vez, poderemos realmente medir de forma direta a rotação de um bruraco negro supermassivo, o que seria a chave para testar a Teoria da Relatividade de Einstein”, diz o coautor Stefan Gillessen.







