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VEJA na Antártica: a chegada ao extremo, com vento, gelo e baleias

No verão antártico, o ambiente mais inóspito do planeta mantém temperaturas amenas e permite a chegada ao gélido continente

Por Jennifer Ann Thomas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 jan 2020, 18h12

No primeiro dia antártico, o locutor dos alto-falantes tirou os navegantes do sono com uma ideia inusitada para quem foi dormir pensando em gelo: o Rio de Janeiro marcou a temperatura de 48ºC. A música A dois passos do paraíso, da banda Blitz, foi a trilha musical que coincidiu com o novo timing dos passageiros: “Longe de casa/ A mais de uma semana/ Milhas e milhas distante/ Do meu amor”.

Na Antártica, tudo é real. Essa foi a frase usada por um dos militares no dia 6 de janeiro, durante a apresentação sobre o navio e os protocolos de segurança. A frase foi usada para frisar o cuidado necessário com os procedimentos de segurança. As condições são, literalmente, extremas: se uma pessoa cair na água, cuja temperatura gira em torno de 1,5ºC, a expectativa de vida é de 90 segundos. Sim, 1 minuto e meio.

No dia 10 de janeiro, às 17h34, foi anunciado nos alto-falantes: “Almirante Maximiano… O navio acaba de cruzar o paralelo 60º sul. Sejam bem-vindos à Antártica”. A partir deste anúncio, as pessoas a bordo fizeram a mesma pergunta quase que em uníssono: “Quando começaremos a ver geleiras? Daqui quanto tempo? ”. Mesmo já na região Antártica, foi somente no dia seguinte, por volta das 9h, que os primeiros paredões de gelo apareceram.

As primeiras a nascer no horizonte foram as Geleiras Nelson. O Estreito de Nelson marca a passagem para a entrada da Península Antártica. Depois, navega-se pela Baía do Almirantado, até alcançar a localização da Estação Antártica Comandante Ferraz.

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Por ser o verão antártico, que segue até meados de março e começo de abril, parte do gelo e da neve derreteram e a temperatura do ar não é tão gélida. No dia 11, os termômetros marcaram 3ºC. O grande problema é o vento: a força das rajadas pode derrubar a sensação térmica para alguns graus negativos.

Poucas horas depois de o navio ter atracado em frente à base, foi anunciado nos alto-falantes: “graciosas baleias a bombordo”. Baleias-jubarte nadavam em frente à embarcação, mostrando suas caudas e nadadeiras, circulando tranquilamente em frente ao navio. Mesmo ali, na porta de entrada para o ponto de chegada, a sensação foi igual ao refrão da música que acordou a trupe pela manhã: “Estou a dois passos (do paraíso) não sei se vou voltar/ Estou a dois passos (do paraíso) talvez eu fique, eu fique por lá”. Sem autorização para descer, o desembarque foi marcado para o dia seguinte. Ficamos a contemplar a belíssima paisagem no horizonte e com o desejo ainda mais intenso de pisar no paraíso de gelo.

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