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AL VINO

Por Marianne Piemonte Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
As novidades, tendências e delícias do mundo do vinho sem um gole de “enochatismo”. Marianne Piemonte é jornalista, sommelière e empresária do mercado de vinhos.

Qual o valor mínimo para se comprar um vinho de qualidade em Portugal?

Brasileiro responsável por uma das mais conceituadas escolas de certificação de profissionais do mercado dá dicas sobre o que há de melhor no país europeu

Por Marianne Piemonte
Atualizado em 6 mar 2025, 15h53 - Publicado em 1 mar 2025, 12h06

Há um brasileiro que está fazendo história em terras portuguesas, o que no mundo dos vinhos pode soar como uma inversão. Aos 37 anos, Diego Ventura, tornou-se o diretor responsável pela Wine School, na cidade do Porto. A escola faz parte do complexo WOW (World of Wine, o quarteirão cultural dedicado ao universo do vinho) e é a responsável por uma das mais importantes certificações mundiais de educação em vinho, a WSET (Wine & Spirit Education Trust), sediada em Londres.

Mais: o belenense que ensinava gastronomia na Universidade da Amazônia, em Belém, também acaba de criar o Portugueses Wine Specialist, uma especificação em vinhos portugueses para profissionais e amadores de toda diversidade de uvas e estilos de vinho produzidos além mar. Uma de suas primeiras turmas foi um grupo privado que estudava para o Master of Wine, a certificação inglesa que referenda grandes profissionais ( hoje existem apenas 421 deles pelo mundo). “Portugal é sem dúvida alguma merecedor de ser mais estudado internacionalmente, tanto quanto a França é hoje com o French Wine Scholar, por exemplo. A geolocalização do país, faz com que se produza vinhos de norte a sul com facilidade, sem falar na diversidade de estilos dos mais encorpados aos mais leves e refrescantes, e uma infinidade de uvas únicas”, diz Diego.

Ele chegou ao Porto depois de passagens por Bourdeaux e Rovira, em decorrência de um mestrado em enoturismo. Entrou na Wine School como estagiário e foi ali que pode colocar em prática sua tese baseada no “edutainment”, uma didática que mescla a educação com entretenimento. Na escola, ele permitia que os turistas fizessem sem marcação prévia a degustação vinhos de diferentes estilos ou regiões portuguesas, tudo com palavras simples e leveza. O resultado é que a maioria das pessoas voltavam para fazer outras degustações, confirmado a tese de Diego de que, ao facilitar a comunicação do vinho, a recompra do produto após a degustação aumentava de 30% a 40%. “O vinho não é simples, mas falar de vinho não precisa ser complicado. Eu sempre começo as minhas aulas com uma provocação: peço que eles prometam que não se tornarão enochatos”, conta o especialista.

Para quem quer conhecer mais sobre vinhos portugueses, aqui vão algumas dicas que fogem do óbvio do mestre brasileiro que sabe tudo de vinho português:

Quer um branco leve? “A região de Lafões, região central do país, tem brancos tão especiais quanto os da Sicília, na Itália. Agora se preferes os mais encorpados, precisa conhecer a uva Encruzado, que faz os branco de guarda, no Dão. Uma uva que gosto muito é a Cerceal, amplamente plantada em Portugal.

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Tintos encorpados? “Vá de Douro, não há dúvida, mas o Alentejo, famoso por vinhos mais encorpados, tem produzido tintos fresco, com acidez especial e até menos alcóolicos”

Uma região em alta? “Os vinhos dos Açores, que são um arquipélago de origem vulcânica são muito especiais. Minha sugestão é que Portugal tem preciosidades que ainda não foram descobertas, por exemplo: a Bairrada, famosa pelos espumante, faz tintos tranquilos excepcionais. Inclusive, o vinho Principal, feito pela Quinta Colinas de São Lourenço, naquela região, pode lhe dar uma prévia do que virão a ser os vinhos de Bordeaux nos próximos anos. Diante das mudanças climáticas, a uva de origem portuguesa Touriga Nacional foi aprovada no tradicional corte bordalês, em 2022. Exatamente o blend do Principal, que traz Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional e Merlot.

Estrelas portuguesas “Atualmente Antonio Maçanita, nos Açores, e Luis Pato, da Bairrada, são atualmente nossas celebridades do vinho. A meu ver, as pequenas vinícolas e os produtores familiares continuam a ser nossas maiores estrelas. As grandes vinícolas são ótimas, mas há experiências de enoturismo mais rurais e, portanto, mais autênticas e inesquecíveis.

Valores O produtor português conseguiu um equilíbrio entre inovação e tradição, que não vejo na França. Em muitos lugares ainda vindima-se (nota da redação: o ato de colher as uvas) a mão, o que evita erros cruciais e diminui 50% dos riscos de uma vinhos com taninos que nunca amadurecerão, por exemplo. Fora que já vi nas pesas seletoras aparelhos Nokia tijolão, tesouras e até roupas de baixo, imagine que tudo isso nas colheitas mecânicas vai para a fermentação e faz parte do seu vinho. Mas, claro, esse processo mais manual tem um custo. Hoje, aqui em Portugal muito raro tomarmos um vinho de qualidade por menos de 15 euros. Já provei ótimos por 8 euros de pequenos produtores, mas o corte não abaixa mais do que isso. Portanto, quando vemos turistas chegarem aqui e irem ao mercado mostrando vinhos de 1 ou 2 euros, é preciso atenção ao que se quer tomar.

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