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Augusto Nunes

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Vlady Oliver: Ninguém cai da teta

Tudo o que está fora do socialismo de pinga que se professa por aqui ou é proibido, ou engorda ou engravida

Por Augusto Nunes 10 dez 2016, 12h18 | Atualizado em 30 jul 2020, 21h08
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Uma coisa de que desgosto profundamente neste governo é sua tendência miserável ao corporativismo. Podem acreditar que tem a mãozona do executivo na “consertação” ─ com “s” mesmo ─ urdida pela salvação do mandato de Renan Calheiros, no espantoso “aprendizado brasileiro” proferido pela ministra Cármen Lúcia e na demora indecente em prender Lulão e sua família. Já fico imaginando uma cena hipotética: o juiz Sérgio Moro está despachando em seu gabinete quando recebe “um telefonema que é um telefonema”, vindo diretamente do Planalto:

─ Meritíssimo Juiz…
─ Senhor Presidente…
─ Vou direto ao ponto. Parto do princípio de que somos ambos homens de bem. Somos republicanos. Cada um a seu modo, aqui, lutamos pelo bem do Brasil. Não sou do tipo que pede favores; não é do meu feitio. No entanto, humildemente, como homem público há mais tempo que Vossa Senhoria, permito-me transmitir-lhe um conselho de amigo: O senhor precisa, consultando sua própria consciência, estabelecer um limite para a atuação da justiça no caso da Lava Jato. Se o senhor usar a justiça indistintamente, vai prender todo mundo. O senhor criará uma crise de governabilidade sem precedentes no nosso país. Não vai sobrar ninguém para governar. Evidentemente, não queremos isso, não é mesmo? Tenho certeza que o senhor saberá estabelecer este limite. Pelo bem do Brasil. Tenha um bom dia…

Pois é. É errado pedir prudência em nome do país? Sim, é. Qual o problema de mandar o prédio de 30 andares para a AGU? Aliás, qual o critério do IPHAN, que embarga o prédio residencial pela feiúra, mas aplaude o Museu do Amanhã pelas mesmas condicionantes?

Tá cheio de tucano na delação da Odebrecht. Pois eu aposto com vocês que todos sairão leves, soltos e livres das respectivas denúncias. Não usaram a grana para enriquecimento ilícito ou em proveito pessoal. Não haverá ligações explícitas entre a arrecadação e o conhecimento desses ilustres. Isso os difere dos irmãozinhos da criminalidade, os petralhas, que enfiaram a mão na jaca mesmo desaconselhados pelos tutores, mais escolados que eles na escola e na escala da bandalheira. Assim, ninguém cai da teta, meus caros. A menos que vocês façam aquilo que já fiz aqui mesmo: um compromisso pela NÃO ELEIÇÃO desses cretinos daqui pra frente.

O próximo Donald Trump está em andamento, portanto. Se eu pudesse ─ e não consigo ─ separar a questão da probidade administrativa desses senhores da competência no exercício do cargo, ainda assim sobraria aquele maldito tom professoral de quem quer nos ensinar o que comer, o que pensar, o que aplaudir e, principalmente, o que não experimentar, posto que tudo o que está fora do socialismo de pinga que se professa por aqui ou é proibido, ou engorda ou engravida. Chega de vigarice, não é mesmo? Nesses senhores que aí estão eu não voto nunca mais, nem amarrado. Que venham os próximos. Simples assim.

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