Bebida de THC chega ao Lollapalooza em Chicago
Novidade reforça tendência de mercado que tenta posicionar o produto como um substituto do álcool
O Lollapalooza abriu as portas na última quinta-feira,30, em Chicago, com uma novidade que até pouco tempo parecia improvável: a venda de bebidas com THC (tetrahidrocanabinol, substância psicoativa) dentro do espaço oficial do evento. A escolhida foi a margarita da marca Señorita, da empresa RYTHM, disponível apenas para maiores de 21 anos. A iniciativa amplia um movimento que já havia chegado ao United Center, local dos shows, que foi a primeira grande arena americana a adotar esse tipo de produto em seus eventos.
Mais do que uma diversão gastronômica, a iniciativa representa uma mudança importante no mercado americano de cannabis. Nos últimos anos, a indústria passou a apostar nas bebidas como uma forma de reposicionar o THC como uma alternativa ao álcool, e não apenas como um produto associado à maconha fumada.
A estratégia busca ampliar o público consumidor. Diferentemente dos cigarros de cannabis, as bebidas oferecem dosagem padronizada, efeito mais previsível e um formato familiar para quem já consome cervejas ou coquetéis. Além disso, eliminam a fumaça e o odor característicos da planta, fatores que ajudam a atrair consumidores que jamais frequentariam um dispensário ou fumariam um baseado.
Esse movimento, porém, abriu uma disputa bilionária dentro do próprio setor. Nos Estados Unidos, a maior parte da cannabis recreativa é vendida em dispensários, lojas autorizadas pelos estados onde o consumo é legalizado. Esses estabelecimentos operam sob um rígido sistema de licenciamento, pagam impostos elevados, seguem regras de rastreabilidade da produção e comercializam apenas produtos submetidos a testes laboratoriais.
As bebidas derivadas do cânhamo, por outro lado, surgiram amparadas por uma brecha criada pela Farm Bill de 2018 e passaram a ser vendidas em supermercados, lojas de conveniência, bares e agora até em festivais de música. Estão sob regras mais elásticas. Para os donos de dispensários, isso representa uma concorrência desigual: enquanto eles enfrentam uma pesada carga regulatória, fabricantes de bebidas conseguem alcançar um público muito maior por canais tradicionais de varejo.







