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Coluna da Lucilia

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Firme e forte

Como o espinafre foi associado ao vigor

Por Lucília Diniz
13 fev 2025, 18h22

Na tela da televisão, o marinheiro abria a lata e engolia rapidamente toda a verdura que saltava de dentro dela. Na mesma hora, seus músculos se inflavam, e ele estava pronto para vencer o vilão da vez. Quando se pensa em espinafre, a cena dos desenhos animados de Popeye vêm à mente quase de imediato. Mas a história da hortaliça e de suas qualidades é bem mais antiga.

O espinafre tem origem na antiga Pérsia, onde hoje é o Irã e arredores. Os árabes o cultivaram e espalharam pelo Mediterrâneo, sobretudo na Península Ibérica, no século 11. Dali se tornou, ao longo da Idade Média, um dos vegetais mais apreciados pela nobreza europeia, aparecendo em diversos escritos médicos e gastronômicos da época como um vegetal que purificava o sangue e dava força ao corpo. Um manual baseado em textos árabes sobre saúde recomendava seu consumo, e um dos primeiros livros de culinária francesa, “Le Viandier”, trazia receitas com ele.

Séculos mais tarde, na França renascentista, a italiana Catarina de Médici introduziu na mesa real pratos refinados com o espinafre. Vem daí o hábito de dizer que um prato com espinafre é “à florentina”, em homenagem à cidade natal da rainha, Florença.

Já o nome da hortaliça em si preservou suas raízes árabes. “Isbanakh” derivou no persa “aspānākh” e, nas linguas europeias, pouco variou. É “espinaca” em espanhol, “épinard” em francês, “spinacio” em italiano e “spinach” em inglês. A palavra latina para “espinho”, “spina”, pode estar na raiz de tudo – as variedades mais antigas da planta tinham uma textura levemente áspera.

Ainda que a riqueza nutricional do espinafre tenha sido intuída desde muito cedo, sua fama mundial veio mesmo de um equívoco. Em um estudo alemão do século 19, o responsável pela redação “engoliu” uma vírgula e atribuiu à hortaliça um teor de ferro dez vezes maior do que o real. Até ser corrigido, em 1937, esse erro fortaleceu a crença de que o espinafre era a melhor fonte de ferro disponível. No meio disso, nasceu o Popeye.

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Criado em 1929, em meio à Grande Depressão, o marinheiro dos quadrinhos e desenhos animados simbolizava garra em tempos difíceis. O espinafre como segredo do herói reforçava a mensagem de que alimentos acessíveis podiam trazer vigor e saúde, popularizando a hortaliça entre as famílias americanas.

Erros à parte, trata-se de fato de uma verdura bastante rica em ferro e em vitaminas. Um de de seus componentes, porém, ácido oxálico, atrapalha a absorção de outros elementos, tornando o espinafre indigesto para algumas pessoas. O cozimento ajuda a reduzir esse efeito e, embora na variedade “baby” ele seja usado em saladas e sucos, na maior parte dos casos é para a panela que ele vai.

Na China, maior produtora e consumidora mundial da hortaliça, ele aparece em sopas e pratos salteados com alho. Na Índia, é a base do “palak paneer”, um ensopado de espinafre com queijo cottage. Na Grécia, recheia a famosa “spanakopita”, uma torta folhada. A combinação com ricota é frequente em massas e tortas. Aqui no Brasil não temos um prato típico com ele, mas ele é bastante apreciado refogado e com ovos também.

Se você é fã de seu sabor pungente (ou do Popeye), há muitas maneiras de incorporar o espinafre em sua dieta. Não é à toa que ele continua firme e forte no cardápio global.

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