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Informações exclusivas sobre o trabalho dos legisladores brasileiros, a partir de dados da plataforma InteliGov. Por Guilherme Venaglia.

‘Bancada ruralista’ comanda votação de projeto pró-agrotóxicos

Demanda antiga dos ruralistas, novas regras avançaram após o impeachment de Dilma Rousseff e se aproximam de aprovação na Câmara

Por Guilherme Venaglia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 Maio 2018, 15h47 | Atualizado em 3 jul 2026, 17h24
‘Bancada ruralista’ comanda votação de projeto pró-agrotóxicos Priorizar nos meus resultados Google

Demanda antiga do setor agropecuário, a mudança na regulamentação do uso de agrotóxicos no Brasil se aproxima de um desfecho na Câmara dos Deputados, após mais de quinze anos de tramitação. À frente de tudo, da presidência à relatoria, passando pelos votantes, estão os membros da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a chamada “bancada ruralista“.

Dos 26 parlamentares titulares da comissão especial formada para analisar o tema, nada menos que 20 (ou 77%) são integrantes da FPA. A bancada e o colegiado dividem inclusive a mesma liderança: presidente da comissão, a deputada Tereza Cristina (DEM-MS) também é a atual representante dos ruralistas.

Os dois primeiros vice-presidentes, Valdir Colatto (MDB-SC) e Raimundo Matos (PSDB-CE), e o relator, Luiz Nishimori (PR-PR), também integram a FPA. Não se trata de uma coincidência: as indicações para analisar a proposta foram feitas pelos partidos e é comum que os parlamentares batalhem junto aos seus líderes para integrar as comissões especiais relacionadas aos temas que impactam a sua base eleitoral.

A comissão especial foi criada para analisar um projeto apresentado em 2002 pelo então senador Blairo Maggi (PP), hoje ministro da Agricultura no governo de Michel Temer (MDB). Ao final, o resultado foi um apensado de nada menos que dezoito propostas sobre o tema, que resultaram em um texto final escrito por Nishimori – segundo a plataforma InteliGov, de inteligência em relações governamentais, ele e a presidente Tereza Cristina são os parlamentares mais engajados na aprovação do projeto.

Apesar de estar há mais de um década e meia no escaninho dos congressistas, a tramitação só andou na atual legislatura, em especial nos últimos dois anos. Após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), fortemente apoiado pelos ruralistas, Blairo Maggi chegou ao comando das políticas agropecuárias empurrado pelos parlamentares do grupo, fragmento importante da base aliada de Temer.

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Do que se trata

Das quase duas dezenas de iniciativas, a que mais se aproxima do texto final é uma de 2015, proposta pelo deputado Covatti Filho (PP-RS) – sim, ele também é da bancada ruralista. Se aprovado como está, o projeto vai revogar a atual legislação e instituir um novo procedimento para a análise dos agrotóxicos – em primeiro lugar, vai eliminar essa expressão, considerada “depreciativa”, determinando que se denomine esses componentes como “produtos fitossanitários”.

Depois, permitiria uma autorização provisória, o que hoje não existe no país. Se um produto for permitido em ao menos três países que integram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), ele poderia ser utilizado no Brasil mesmo antes de qualquer análise técnica por aqui.

Com o objetivo de reduzir o tempo de espera para a regularização de um componente, o processo passaria a ser exclusivamente em uma comissão abrigada no Ministério da Agricultura. As duas outras instituições que hoje fazem a análise completa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) continuariam a ser ouvidos, mas a partir de pareceres enviados ao Ministério e não mais de procedimentos separados.

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De um lado, representantes de produtores argumentam que o tempo de demora, estimado em até oito anos, é excessivo e atrasa a agricultura brasileira. Os deputados contrários – segundo o InteliGov, Nilto Tatto (PT-SP) se destaca – argumentam que a flexibilização só atende à interesses comerciais e reduz a proteção à saúde humana e ao Meio Ambiente. Um dos pontos mais sensíveis é a retirada da proibição expressa de substâncias cancerígenas e a substituição pelo veto àquelas que tiverem “risco inaceitável”, sem um estabelecimento mais claro de qual seria esse limite.

Leia o relatório do parlamentar e o texto na íntegra.

Em que pé está

O relatório do deputado Luiz Nishimori, com a atual redação do projeto, está pronto para votação em comissão especial. No entanto, parlamentares da oposição tem bloqueado sucessivamente que a análise ocorra. Nesta quarta-feira (9), um pedido de vista coletivo adiou a análise para a próxima semana.

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A movimentação tem razão de ser: com 77% da bancada ruralista na comissão, a chance de o projeto não ser aprovado, caso seja votado, é nula. Se passar, a próxima etapa será a análise em Plenário e, com novo retorno positivo, será encaminhado ao Senado.

A comissão

A FPA, nome formal da bancada ruralista, tem 20 dos 26 titulares (77%) e 14 dos 21 (66%) suplentes da comissão especial. Apesar de não ser o colegiado definitivo, este grupo dará os contornos do projeto, que apenas sofrerá ajustes maiores ou menores. Em negrito, os nomes da FPA no colegiado.

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Presidente: Tereza Cristina (DEM-MS)
Vice-presidentes: Valdir Colatto (MDB-SC), Raimundo Matos (PSDB-CE) e Bohn Gass (PT-RS)

Relator: Luiz Nishimori (PR-PR)

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Integrantes titulares: Adilton Sacchetti (PRB-MT), Aelton Freitas (PR-MG), Afonso Motta (PDT-RS), Alessandro Molon (PSB-RJ), Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), César Halum (PRB-TO), Covatti Filho (PP-RS), Diego Garcia (Pode-PR), Evandro Roman (PSD-PR), Heitor Schuch (PSB-RS), Hélio Leite (DEM-PA), João Daniel (PT-SE), Luis Carlos Heinze (PP-RS), Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), Luiz Nishimori (PR-PR), Marcos Montes (PSD-MG), Professor Victório Galli (PSL-MT), Padre João (PT-MG), Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE), Rogério Peninha Mendonça (MDB-SC),  Sarney Filho (PV-MA), Sergio Souza (MDB-PR), Tereza Cristina (DEM-MS), Valdir Colatto (MDB-SC) e Zé Silva (SD-MG).

Integrantes suplentes: Adalberto Cavalcanti (Avante-PE), Alceu Moreira (MDB-RS), Altineu Côrtes (PR-RJ), Assis do Couto (PDT-PR), Augusto Carvalho (SD-DF), Carlos Henrique Gaguim (DEM-TO), Celso Maldaner (MDB-SC), Chico Alencar (PSOL-RJ), Domingos Sávio (PSDB-MG), Jerônimo Goergen (PP-RS), Josué Bengston (PTB-PA), Júlio Delgado (PSB-MG), Mandetta (DEM-MS), Nilson Leitão (PSDB-MT), Odorico Monteiro (PSB-CE), Onyx Lorenzoni (DEM-RS), Patrus Ananias (PT-MG), Paulo Teixeira (PT-SP), Raquel Muniz (PSD-MG) e Shéridan (PSDB-RR).

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