ASSINE VEJA NEGÓCIOS

APURAÇÃO DAS ELEIÇÕES 2026

Imagem Blog

Diogo Schelp

Por Diogo Schelp Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Notícias e análises sobre economia política internacional e comércio exterior

Caos nas ruas escancara crise do bem-estar social francês

Situação fiscal do país europeu expõe dificuldade de bancar sistema de benesses, o que pode fortalecer direita radical na eleição de 2027

Por Diogo Schelp Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 out 2026, 16h15
Caos nas ruas escancara crise do bem-estar social francês Priorize VEJA no Google

A onda de protestos que atinge a França, com escolas bloqueadas e paralisações de servidores públicos, é fruto de uma dificuldade de financiar o Estado de bem-estar social num cenário de crédito mais caro, pressão sobre os gastos e paralisia política. A poucos meses da eleição presidencial, marcada para abril de 2027, essa combinação pode favorecer a candidata da direita radical Marine Le Pen, do Reagrupamento Nacional, que aparece à frente dos adversários nas pesquisas recentes.

Centenas de escolas fecharam em meio à mobilização estudantil, e dezenas sofreram danos. Os alunos protestam contra instalações deterioradas e falta de professores. Servidores públicos, por sua vez, se mobilizam contra propostas de congelamento salarial. Embora tenham reivindicações distintas, os movimentos convergem na resistência à perda de qualidade dos serviços e às restrições orçamentárias.

O problema é que preservar esses serviços exige recursos que o governo encontra dificuldade crescente para obter. O envelhecimento da população pressiona os gastos públicos. O déficit primário fechou 2025 em cerca de 3% do PIB, com base nos dados do instituto oficial de estatística francês, o Insee. Já a dívida pública chegou a 119% do PIB no fim do segundo trimestre de 2026.

Como resultado, está cada vez mais caro para o Estado francês financiar sua dívida. Em 2 de outubro, a diferença entre os juros dos títulos franceses e alemães de dez anos chegou a 1,55 ponto percentual, segundo dados da FactSet publicados pela Axios. Esse prêmio indica quanto os investidores exigem a mais para emprestar à França em relação à Alemanha, considerada uma alternativa mais segura.

Continua após a publicidade

A guerra no Irã agravou esse quadro ao encarecer a energia e enfraquecer o crescimento econômico. Forma-se, assim, um círculo difícil de romper. O governo tenta conter despesas para recuperar a confiança dos credores, mas enfrenta oposição nas ruas. A dificuldade de executar o ajuste, por sua vez, alimenta a percepção de risco nos mercados. A paralisia política é o elemento que deflagra a tensão financeira.

O risco Le Pen

É nesse ambiente que os protestos podem dar impulso adicional à candidatura de Marine Le Pen. O desgaste dos serviços públicos e a incapacidade de produzir uma saída para a crise oferecem à oposição uma oportunidade de converter frustração social em rejeição ao governo. Não significa que os manifestantes apoiem o grupo político de Le Pen, conhecida pelo discurso populista e anti-imigração. Mas a mobilização pode acabar beneficiando eleitoralmente uma candidatura que já lidera as pesquisas.

Continua após a publicidade

As propostas em circulação mostram como o debate se desloca para soluções de difícil conciliação. Le Pen defende inserir na Constituição uma regra de limitação do déficit, ao mesmo tempo que propõe cortes de impostos. Na outra ponta, Jean-Luc Mélenchon, candidato da esquerda radical, sugere cancelar a parcela da dívida francesa mantida pelo banco central do país, estimada em cerca de 18%. Nenhuma dessas propostas, por si só, resolve o conflito entre a demanda por serviços e a necessidade de financiá-los.

O atual presidente, Emmanuel Macron, de centro-direita, vive a inércia de um governo em fim de ciclo, com menos força para impor sua agenda e convencer os franceses de que ainda pode oferecer uma saída para a crise. O desgaste político reduz sua capacidade de conduzir reformas, enquanto a proximidade da sucessão desloca a atenção para os candidatos que disputam seu lugar. Os dois principais candidatos a herdar seu espaço são Édouard Philippe e Gabriel Attal, ambos ex-primeiros-ministros e candidatos à Presidência em 2027. Attal representa mais diretamente o partido de Macron; Philippe disputa a liderança do campo mais amplo de centro e centro-direita. Os protestos atuais, porém, reforçam o esgotamento de um projeto político que perdeu o vigor e encontra dificuldades para recuperar a iniciativa.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Capa da revista Veja, um celular e um notebook exibindo o site da revista, sobre fundo preto com texto BLACKFRIDAY repetido
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ESQUENTA BLACK FRIDAY

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).