Estreito de Ormuz? O problema para o preço do petróleo agora é outro
O plano B para o escoamento da Arábia Saudita depende de outra passagem instável: o Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho
Faz sentido a obsessão com o Estreito de Ormuz, por onde, antes da Guerra no Irã, passavam 25% do petróleo exportado do mundo, mas surge agora um novo ponto de vulnerabilidade que contribui para manter nas alturas as incertezas em relação ao preço do barril de petróleo. Trata-se do Estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico. Se o mercado já vinha operando com tensão no Golfo Pérsico, a ameaça das milícias houthis do Iêmen, apoiadas e armadas pelo Irã, ao Bab el-Mandeb transformou a “rota alternativa” para o petróleo da Arábia Saudita em um novo gargalo.
Congestionamento no Mar Vermelho
Durante anos, a Arábia Saudita tratou o corredor do Mar Vermelho como seu plano B para exportar petróleo sem depender tanto do Estreito de Ormuz. O Oleoduto Leste-Oeste é a peça central do plano saudita para escapar de Ormuz: ele liga os campos de petróleo do leste ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho, e pode transportar algo em torno de 7 milhões de barris por dia, embora não cubra sozinho todo o volume exportado pelo reino.
Só que essa rota não eliminou o risco, apenas o deslocou. O tal plano B passou a depender de outra passagem estreita e frágil: o Bab el-Mandeb, na entrada sul do Mar Vermelho, hoje pressionado por ataques dos houthis e ameaças de bloqueio. A milícia anunciou no último dia 20 que fecharia o estreito – e, de fato, desde então intensificou os ataques a navios petroleiros que se arriscam por ali.
Nos últimos dias, o efeito saiu do campo da ameaça e entrou na operação: o tráfego de navios no Bab el-Mandeb recuou fortemente após os ataques, e os preços físicos de cargas de petróleo no Oriente Médio, na Europa e na África chegaram aos níveis mais altos dos últimos dois meses. Em outras palavras: o risco já está embutido na logística, não apenas na geopolítica.
Nesse Yanbu tem caroço
O impacto do Bab el-Mandeb é tão sensível porque, se estiver intransitável, as cargas que saem do porto de Yanbu precisariam ser desviadas e contornar a África para chegar à Ásia. Isso alonga o trajeto, encarece frete e seguro e reduz a velocidade com que o barril chega aos consumidores.
Na prática, o mercado não perde só petróleo; perde flexibilidade. Quando uma rota alternativa trava, refinarias competem por menos barris disponíveis, o que tende a empurrar preços para cima antes mesmo de qualquer interrupção total no fornecimento.
Mas e o Suez?
É aqui que o Canal de Suez entra como peça importante, mas não como solução mágica. O canal aceita navios com limites físicos de calado, largura e comprimento; por isso, muitos superpetroleiros não conseguem atravessá-lo ou precisam recorrer ao oleoduto SUMED, que liga o Mar Vermelho ao Mediterrâneo.
Além disso, Suez não é um atalho universal para o petróleo do Golfo. Ele ajuda sobretudo as rotas o sul da Europa e para os destinos no Oceano Atlântico, mas não resolve o problema das cargas saindo de Yanbu rumo à Ásia — se tanto Ormuz quanto Bab el-Mandeb estiverem fechados, os navios precisariam contornar a África e fazer todo o caminho de volta para o Oceano Índico. Do ponto de vista logístico, não faz o menor sentido. A não ser que a segurança fale (muito) mais alto.
Além de Ormuz
A consequência é que o mercado de petróleo passou a medir o Oriente Médio por dois estrangulamentos ao mesmo tempo: Ormuz, no Golfo, e Bab el-Mandeb, na entrada do Mar Vermelho. A leitura de curto prazo é simples: se o primeiro afeta o coração da oferta regional, o segundo pode sufocar justamente a válvula de escape que a Arábia Saudita usava para evitar esse bloqueio.
Por isso, falar apenas em Ormuz já descreve mal o problema. O ponto crítico agora é mais amplo: o sistema de exportação de petróleo do Golfo está ficando vulnerável dos dois lados, e cada novo ataque no Mar Vermelho reduz a margem de manobra do mercado global.
A estratégia mais recente do Irã, de expandir o raio de impacto da guerra iniciada por Donald Trump tem justamente esse propósito. Estrangulando as alternativas, o custo da guerra para os Estados Unidos e para o mundo se torna cada vez maior – e Teerã passa a ter mais vantagens em eventuais negociações.






![[RELAMPAGO] PAYWALL (728 x 90 px) Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo e branco, ao lado de Você pediu, a gente ouviu! em branco. À direita, capas de revistas e um celular com tela ligada, e um ícone de árvore à esquerda.](https://beta-develop.veja.abril.com.br/wp-content/uploads/2026/07/RELAMPAGO-PAYWALL-728-x-90-px.gif?fit=728%2C90&quality=70&strip=info)
![[RELAMPAGO] PAYWALL - 328x79 Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo neon, acompanhado de um raio. Abaixo, Você pediu, a gente ouviu!. À direita, capas de revistas: SUPER com um copo de milk-shake, VEJA com paisagem e MUNDO ESTRANHO com carros. Um ícone de árvore estilizada no canto superior direito](https://beta-develop.veja.abril.com.br/wp-content/uploads/2026/07/RELAMPAGO-PAYWALL-328x79-1.gif?fit=328%2C79&quality=70&strip=info)