ASSINE VEJA NEGÓCIOS
Imagem Blog

Diogo Schelp

Por Diogo Schelp Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Notícias e análises sobre economia política internacional e comércio exterior

Estreito de Ormuz? O problema para o preço do petróleo agora é outro

O plano B para o escoamento da Arábia Saudita depende de outra passagem instável: o Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho

Por Diogo Schelp Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 jul 2026, 12h23 | Atualizado em 30 jul 2026, 15h05
Estreito de Ormuz? O problema para o preço do petróleo agora é outro Priorizar nos meus resultados Google

Faz sentido a obsessão com o Estreito de Ormuz, por onde, antes da Guerra no Irã, passavam 25% do petróleo exportado do mundo, mas surge agora um novo ponto de vulnerabilidade que contribui para manter nas alturas as incertezas em relação ao preço do barril de petróleo. Trata-se do Estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico. Se o mercado já vinha operando com tensão no Golfo Pérsico, a ameaça das milícias houthis do Iêmen, apoiadas e armadas pelo Irã, ao Bab el-Mandeb transformou a “rota alternativa” para o petróleo da Arábia Saudita em um novo gargalo.

Congestionamento no Mar Vermelho

Durante anos, a Arábia Saudita tratou o corredor do Mar Vermelho como seu plano B para exportar petróleo sem depender tanto do Estreito de Ormuz. O Oleoduto Leste-Oeste é a peça central do plano saudita para escapar de Ormuz: ele liga os campos de petróleo do leste ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho, e pode transportar algo em torno de 7 milhões de barris por dia, embora não cubra sozinho todo o volume exportado pelo reino.

Só que essa rota não eliminou o risco, apenas o deslocou. O tal plano B passou a depender de outra passagem estreita e frágil: o Bab el-Mandeb, na entrada sul do Mar Vermelho, hoje pressionado por ataques dos houthis e ameaças de bloqueio. A milícia anunciou no último dia 20 que fecharia o estreito – e, de fato, desde então intensificou os ataques a navios petroleiros que se arriscam por ali.

Nos últimos dias, o efeito saiu do campo da ameaça e entrou na operação: o tráfego de navios no Bab el-Mandeb recuou fortemente após os ataques, e os preços físicos de cargas de petróleo no Oriente Médio, na Europa e na África chegaram aos níveis mais altos dos últimos dois meses. Em outras palavras: o risco já está embutido na logística, não apenas na geopolítica.

Continua após a publicidade

Nesse Yanbu tem caroço

O impacto do Bab el-Mandeb é tão sensível porque, se estiver intransitável, as cargas que saem do porto de Yanbu precisariam ser desviadas e contornar a África para chegar à Ásia. Isso alonga o trajeto, encarece frete e seguro e reduz a velocidade com que o barril chega aos consumidores.

Na prática, o mercado não perde só petróleo; perde flexibilidade. Quando uma rota alternativa trava, refinarias competem por menos barris disponíveis, o que tende a empurrar preços para cima antes mesmo de qualquer interrupção total no fornecimento.

Mas e o Suez?

É aqui que o Canal de Suez entra como peça importante, mas não como solução mágica. O canal aceita navios com limites físicos de calado, largura e comprimento; por isso, muitos superpetroleiros não conseguem atravessá-lo ou precisam recorrer ao oleoduto SUMED, que liga o Mar Vermelho ao Mediterrâneo.

Continua após a publicidade

Além disso, Suez não é um atalho universal para o petróleo do Golfo. Ele ajuda sobretudo as rotas o sul da Europa e para os destinos no Oceano Atlântico, mas não resolve o problema das cargas saindo de Yanbu rumo à Ásia — se tanto Ormuz quanto Bab el-Mandeb estiverem fechados, os navios precisariam contornar a África e fazer todo o caminho de volta para o Oceano Índico. Do ponto de vista logístico, não faz o menor sentido. A não ser que a segurança fale (muito) mais alto.

Além de Ormuz

A consequência é que o mercado de petróleo passou a medir o Oriente Médio por dois estrangulamentos ao mesmo tempo: Ormuz, no Golfo, e Bab el-Mandeb, na entrada do Mar Vermelho. A leitura de curto prazo é simples: se o primeiro afeta o coração da oferta regional, o segundo pode sufocar justamente a válvula de escape que a Arábia Saudita usava para evitar esse bloqueio.

Por isso, falar apenas em Ormuz já descreve mal o problema. O ponto crítico agora é mais amplo: o sistema de exportação de petróleo do Golfo está ficando vulnerável dos dois lados, e cada novo ataque no Mar Vermelho reduz a margem de manobra do mercado global.

Continua após a publicidade

A estratégia mais recente do Irã, de expandir o raio de impacto da guerra iniciada por Donald Trump tem justamente esse propósito. Estrangulando as alternativas, o custo da guerra para os Estados Unidos e para o mundo se torna cada vez maior – e Teerã passa a ter mais vantagens em eventuais negociações.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo e branco, ao lado de Você pediu, a gente ouviu! em branco. À direita, capas de revistas e um celular com tela ligada, e um ícone de árvore à esquerda.Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo neon, acompanhado de um raio. Abaixo, Você pediu, a gente ouviu!. À direita, capas de revistas: SUPER com um copo de milk-shake, VEJA com paisagem e MUNDO ESTRANHO com carros. Um ícone de árvore estilizada no canto superior direito
OFERTA RELÂMPAGO

Digital Premium

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 24,99/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 63% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).