Longe dos holofotes, trio improvável conduz estreia da Coreia na Copa
Hwang In-beom, Oh Hyeon-gyu e Kim Seung-gyu superam lesões, doença e desconfiança para liderar a virada sul-coreana sobre a Tchéquia
Os rostos mais conhecidos da seleção sul-coreana estavam em campo. O capitão Son Heung-min liderava a equipe. Lee Kang-in organizava as jogadas. Mas, na estreia da Coreia do Sul na Copa do Mundo de 2026, os protagonistas da vitória por 2 a 1 sobre a República Tcheca foram outros.
Quando os tchecos abriram o placar no Estádio Guadalajara, no México, a partida parecia caminhar para um início frustrante dos asiáticos no torneio. A reação, porém, nasceu justamente de jogadores que chegaram ao Mundial carregando dúvidas, obstáculos e histórias de superação.
O primeiro deles foi Hwang In-beom. Aos 22 minutos do segundo tempo, o meio-campista do Feyenoord marcou o gol de empate e mudou o rumo da partida. O lance teve um significado especial. Durante meses, sua presença na Copa esteve ameaçada por uma sequência de problemas físicos. Em março, uma lesão no pé direito parecia suficiente para afastá-lo do torneio.
A recuperação acelerada permitiu que o jogador de 29 anos fosse aprovado nos exames finais e embarcasse com a delegação para os Estados Unidos. Em campo, respondeu da melhor forma possível: marcou um gol, deu uma assistência e comandou o meio-campo com a mesma tranquilidade que o transformou em um dos pilares da seleção sul-coreana.
Comparado durante anos ao ex-capitão Ki Sung-yueng, Hwang consolidou-se como o cérebro da equipe. Responsável por ligar defesa e ataque, construiu uma carreira internacional que passou por Coreia do Sul, Canadá, Grécia, Sérvia e Holanda antes de chegar ao Feyenoord. Contra a República Tcheca, voltou a mostrar por que continua sendo indispensável.
Se Hwang recolocou a Coreia do Sul no jogo, Oh Hyeon-gyu escreveu o capítulo mais emocionante da noite. O atacante marcou o gol da virada aos 35 minutos do segundo tempo, apenas alguns dias depois de enfrentar um problema que poderia tê-lo deixado fora da partida.
“Minha febre chegou a 38 graus antes do jogo. Eu nem sabia se conseguiria entrar em campo”, revelou após a vitória.
A cena contrastava com a experiência vivida por ele há quatro anos. Na Copa do Catar, Oh viajou apenas como parceiro de treinos e sequer integrou a lista oficial de inscritos. Desta vez, entrou para a convocação e aproveitou a oportunidade que aguardava havia anos.
A trajetória recente do atacante também ajuda a explicar sua evolução. Depois de atuar pelo Celtic, da Escócia, passou pelo Genk, da Bélgica, onde marcou 12 gols em sua primeira temporada, antes de ser contratado pelo Besiktas, um dos gigantes do futebol turco. Mesmo cercado por concorrentes de peso no ataque da seleção, continuou esperando o momento certo para aparecer. Ele chegou na estreia da Copa.
Mas a vitória sul-coreana não teria sido possível sem outro veterano acostumado a desafiar adversidades. Aos 36 anos, o goleiro Kim Seung-gyu foi decisivo ao evitar que os tchecos ampliassem a vantagem quando a partida ainda estava aberta.
As defesas foram tão importantes que renderam elogios até do técnico adversário, Miroslav Koubek: “Não sei como o goleiro conseguiu defender aquele chute. Aquele momento afetou o resultado da partida”.
A atuação coroou uma trajetória marcada por persistência. Kim disputou sua quarta Copa do Mundo depois de superar duas graves lesões no ligamento cruzado anterior e longos períodos de recuperação. Pouco antes do torneio, ganhou uma motivação extra: o nascimento da filha, apenas uma semana antes da estreia da Coreia do Sul no Mundial.
Após o apito final, o goleiro preferiu dividir os méritos: “Estou satisfeito porque conseguimos virar o jogo. Minhas defesas ajudaram a equipe, mas o mais importante foi a reação coletiva”.
A Copa do Mundo costuma revelar novos protagonistas a cada edição. Na primeira partida da Coreia do Sul em 2026, os heróis surgiram justamente onde poucos estavam olhando. Enquanto Son Heung-min e Lee Kang-in atraíam os holofotes, foram Hwang In-beom, Oh Hyeon-gyu e Kim Seung-gyu que escreveram a primeira grande história sul-coreana no torneio.






