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Histórias de Sucesso

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Chairman & CEO | Editora Global Partners; especialista em liderança, educação e impacto ESG. Lideranças que formam o futuro

Você não precisa ter todas as respostas

Adriano Rishi, presidente da Cummins Brasil mostra como vulnerabilidade, técnica e inteligência emocional redefinem a liderança no cenário atual

Por Fabiana Monteiro 14 abr 2026, 17h06
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Adriano Rishi construiu sua trajetória profissional a partir de valores profundamente enraizados em sua história familiar. Nascido em São Paulo, é descendente da quarta geração de japoneses no Brasil — uma herança marcada por disciplina, respeito, esforço contínuo e senso de responsabilidade. Esses princípios, transmitidos ao longo de gerações, foram determinantes na formação de sua visão de mundo e na maneira como passou a conduzir sua carreira e sua liderança.

Formado em Engenharia Mecânica pela FEI — a escola de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, criada para atender ao setor automotivo —, Adriano cresceu em um ambiente onde a engenharia fazia parte do cotidiano. Filho de engenheiro mecânico e de professora, e irmão de uma engenheira química, parecia natural seguir essa direção. No entanto, sua trajetória não foi linear. Durante a adolescência, acreditava que se tornaria engenheiro eletrônico, influenciado por sua afinidade com tecnologia e pelo tempo dedicado a videogames e atividades em laboratório.

Foi somente com o tempo que percebeu que sua relação com a tecnologia era mais voltada ao uso do que à criação. O que realmente despertava seu interesse eram os motores, os carros e o funcionamento das máquinas. Essa percepção marcou um ponto de inflexão importante: o início de uma jornada guiada por escolhas conscientes, e não apenas por expectativas externas.

Sua entrada no mercado de trabalho começou no Instituto Mauá de Tecnologia, onde atuou no laboratório de metrologia com certificação de sistemas de qualidade. A experiência foi relevante, mas trouxe também um aprendizado essencial: entender o que não queria para sua carreira. Esse discernimento, muitas vezes negligenciado, foi fundamental para redirecionar seus próximos passos.

A virada aconteceu quando participou de um processo seletivo na Cummins Brasil, em Guarulhos, na década de 1990. Após algumas tentativas sem sucesso, sua persistência foi recompensada com uma oportunidade no centro técnico da empresa. Foi nesse ambiente que sua paixão por motores encontrou espaço para se desenvolver.

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Ao longo dos anos, Adriano construiu uma carreira sólida dentro da organização, passando por diferentes áreas como manutenção, instrumentação, aplicações, engenharia de produtos, performance e emissões. Essa trajetória multifuncional não apenas ampliou seu repertório técnico, como também fortaleceu sua capacidade de compreender o negócio de forma sistêmica.

Em determinado momento, aceitou um desafio fora da empresa, atuando no campo de provas da Ford, em Tatuí. A experiência trouxe aprendizados importantes sobre dinâmica veicular, mas também reforçou uma percepção estratégica: em estruturas menores, seria possível gerar impacto mais direto. Essa clareza o levou de volta à Cummins, onde assumiu posições de liderança até chegar, em 2021, aos 46 anos de idade, à presidência da operação brasileira.

Sua trajetória ilustra uma transição relevante: do especialista técnico ao líder executivo. E, segundo ele, essa mudança exige uma competência muitas vezes subestimada — compreender que saber o que fazer não é suficiente; é preciso dominar o como fazer.

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Ao longo de sua carreira, Adriano enfrentou desafios complexos, muitos deles sem respostas imediatas. Em diversos momentos, considerou desistir. No entanto, a responsabilidade com clientes, equipes e resultados sempre falou mais alto. Com o tempo, compreendeu que as soluções nem sempre surgem de forma linear, e que ampliar repertório e perspectivas é essencial para resolver problemas de maior complexidade.

Outro aspecto central de sua liderança é a forma como enxerga a vulnerabilidade. Em um ambiente corporativo historicamente marcado pela busca da perfeição, Adriano defende que reconhecer limites e admitir dúvidas não enfraquece o líder — pelo contrário, o humaniza. Essa postura contribui para a construção de ambientes mais seguros, em que a troca de ideias acontece de forma mais aberta e produtiva.

A liderança, em sua visão, pode até carregar momentos de solidão, especialmente em posições de alta responsabilidade. No entanto, não precisa ser isolada. Ao longo do tempo, ele passou a valorizar cada vez mais o diálogo, tanto dentro quanto fora da organização, criando redes de apoio que fortalecem a tomada de decisão.

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Para Adriano, liderar vai além de gerir processos ou resultados. Trata-se de compreender pessoas em sua totalidade. Isso significa reconhecer que cada indivíduo carrega uma história, um contexto e desafios que impactam diretamente seu comportamento e seu desempenho. Essa visão amplia a capacidade de conexão e permite extrair o melhor de cada equipe.

A priorização é outro pilar essencial em sua trajetória. Em um ambiente em que tudo parece urgente, saber escolher onde investir energia se torna um diferencial competitivo. Ele defende que, quando tudo é tratado como prioridade, nada recebe a atenção necessária. Por isso, estabelecer critérios claros e respeitar limites é fundamental.

Essa lógica se estende também ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Adriano valoriza o tempo fora do trabalho e evita acionar sua equipe fora do expediente, salvo em situações realmente necessárias. Para ele, respeitar esses limites não é apenas uma questão de bem-estar, mas também de produtividade sustentável.

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O autocuidado faz parte desse compromisso. Práticas como exercícios físicos, alimentação equilibrada e sono adequado são, em sua visão, elementos indispensáveis para lidar com a pressão e manter a clareza na tomada de decisão.

No contexto atual, marcado por transformações aceleradas, Adriano destaca a importância da comunicação e da inteligência emocional como competências-chave. A capacidade de transmitir ideias com clareza, ouvir diferentes perspectivas e reagir de forma equilibrada diante de desafios é determinante para o sucesso de qualquer líder.

No setor em que atua, a transição energética deixou de ser uma tendência e passou a ser uma realidade. Esse movimento exige adaptação constante, aprendizado contínuo e uma visão estratégica orientada para o futuro. Nesse cenário, comunicar bem e liderar com empatia tornam-se diferenciais ainda mais relevantes.

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Ao refletir sobre o que realmente sustenta o sucesso, Adriano apresenta uma visão estruturada em cinco pilares: saúde, família, amigos, espiritualidade e trabalho — exatamente nessa ordem. Para ele, essa hierarquia não é apenas conceitual, mas prática. É ela que orienta suas decisões e garante consistência ao longo do tempo.

A metáfora da máscara de oxigênio ilustra bem essa lógica: é preciso cuidar de si antes de cuidar dos outros. Longe de representar egoísmo, essa escolha reflete responsabilidade e consciência sobre a importância do equilíbrio.

Ao olhar para sua trajetória, Adriano mantém o hábito de revisitar decisões passadas e projetar o futuro com intenção. Esse exercício de reflexão contínua permite ajustes de rota e reforça a importância de escolhas conscientes.

Sua visão sobre educação também é clara. Embora não garanta sucesso por si só, ela amplia horizontes, cria oportunidades e abre caminhos que dificilmente surgiriam de outra forma. Em um cenário em que muitos jovens se mostram desmotivados em relação ao estudo e ao trabalho, ele reforça a importância de dar o primeiro passo.

Para Adriano, o início é sempre a parte mais difícil. No entanto, é justamente esse movimento que permite que o caminho se revele ao longo da jornada. Sua história demonstra que o sucesso não está em atalhos, mas na consistência, na capacidade de adaptação e, principalmente, na coragem de fazer escolhas ao longo do caminho.

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