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Um olhar jornalístico sobre relacionamento, sexo e comportamento

‘Dating burnout’: o que é e quais são os riscos dos apps de namoro

Cada vez mais pessoas perdem a esperança de encontrar um amor online

Por Duda Monteiro de Barros Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 abr 2026, 08h00 | Atualizado em 20 abr 2026, 10h47
‘Dating burnout’: o que é e quais são os riscos dos apps de namoro Priorizar nos meus resultados Google

A revolução dos aplicativos de relacionamento, que prometia ampliar infinitamente as chances de encontrar um par, gerou um efeito colateral perigoso: o dating burnout. Diferente de milhões de anos de evolução, nos quais a intimidade se construía no contato presencial e no convívio prolongado, os apps submergem o usuário em uma oferta infindável de perfis.

O biólogo evolutivo Justin Garcia, do Instituto Kinsey, acaba de lançar o livro The Intimate Animal (O Animal da Intimidade), que alerta que essa dinâmica, baseada em filtros superficiais e conversas insuficientes, produz conexões frágeis e está gerando uma verdadeira “crise de intimidade”. 

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Os números são alarmantes e comprovam o esgotamento. Uma pesquisa da Forbes Health revelou que 78% dos usuários de apps de namoro relatam sentir frustração ou exaustão emocional – o tal dating burnout. E o principal motivo (40%) é justamente a falta de relações mais profundas.

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O psicólogo Paul Eastwick, da Universidade da Califórnia, autor de Bonded by Evolution, explica que a lógica dos aplicativos embute a ideia perversa de que o próximo perfil pode ser melhor que o anterior. “Neste contexto, torna-se natural descartar tudo aquilo que não parece espetacular no primeiro instante ou em um único encontro, uma armadilha que dificulta a verdadeira conexão”, disse o autor a VEJA.

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As consequências vão além da frustração. A falta do contato olho no olho, combinada com a infinidade de escolhas, gera ansiedade, ruídos de interpretação e uma sensação constante de inadequação. A psicóloga Amanda Garcia, 31, faz parte da turma que abre cada vez menos os apps. “Sinto que as pessoas estão menos dispostas a sair e se conhecer de verdade. Uma vez fiquei semanas falando com um cara e ele pelo celular, mas ele não queria ir para o presencial”, conta.

 

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