Gonet sentiu saudades de você – a hora da verdade para o STF e a PGR
O pior de tudo não é ver Moraes, Toffoli e Gonet envolvidos até o pescoço com Daniel Vorcaro, mas a inércia das instituições em afastá-los de suas funções
Estamos assistindo, ao vivo e a cores, a alguns integrantes premium dessa oligarquia dos poderes que tomou o Brasil de assalto querendo abafar o quadrante do escândalo do Master que envolve o ministro Alexandre de Moraes e o próprio procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Após o ministro André Mendonça afastar o sigilo das conversas ocorridas entre o banqueiro criminoso e o ministro Alexandre de Moraes, foi descortinada uma avalanche de evidências incriminatórias em relação à conduta do ministro, levando de quebra o chefe do Ministério Público Federal, Paulo Gonet, que aparece nas conversas de forma vexatória e comprometedora. Há registros do procurador-geral pedindo, por meio de Ciro Soares (ex-defensor do Master), uma viagem a Londres para o filho e, de quebra, ainda declarando sentir saudades de Vorcaro…
A partir da forma como o banqueiro se dirige a Moraes nas mensagens, não fica difícil concluir que o ministro funcionava como uma espécie de conselheiro e leva-e-traz, canal de vazamentos, e também um “hub” para o acionamento de Paulo Gonet e outras autoridades, que, por sua vez, eram reduzidos a meros integrantes de uma “equipe de socorro” para os apuros do banqueiro fraudador.
O clímax do escárnio, para os contribuintes, foi o registro da mensagem em que Vorcaro consultou o ministro Alexandre de Moraes sobre se deveria ou não fugir do país. Essa chegou a doer.
Lendo as mensagens e as demandas que Moraes recebia, entre elas até a de atrasar operações da Polícia Federal (o que não logrou conseguir), percebemos como um bilionário – mau-caráter – pode ser perigoso e destruidor, pois detém recursos financeiros de sobra para chegar aos preços mais altos do “mercado” de Brasília. Ele comprou ministros com dezenas de milhões como quem dá gorjetas de 10 reais para flanelinhas. Não havia ninguém realmente “priceless” diante de Daniel Vorcaro…
Agora, a questão central, e mais angustiante para a sociedade, será se as instituições, a saber, o Supremo Tribunal Federal e o Ministério Público Federal, estarão – ou não – em condições de afastar de imediato essas duas autoridades das suas respectivas funções.
Em que pese já estarem total e irremediavelmente desmoralizados, é imperioso notar que cada um deles segue com os seus poderes funcionais – e bastante dispostos – para continuarem atuando nesse caso, alguns de forma exclusiva, como Paulo Gonet, que é o procurador-geral da República. Constitucionalmente, o que Gonet tem o poder de fazer, nenhuma outra alma tem. É ele, ou ninguém mais.
Em suma, seria cômico se não fosse trágico, mas os dois agentes públicos que deveriam, por cautela, ser afastados de imediato não somente permanecem em seus cargos, como seguem com poderes de atuar e embaralhar as cartas do jogo, em favor das suas próprias impunidades.
Paulo Gonet já se manifestou em defesa da anulação do relatório que o compromete. Isso já era de se esperar, principalmente em razão do nível de ousadia e a desfaçatez desses oligarcas do poder.
Cabe agora ao ministro Fachin sair da letargia, esquecer essa conversa fiada que é o código de ética, pois o caso é para aplicação dos Códigos Penal e Processual Penal. Se Fachin não agir, todo o STF vai para o buraco.
Como potenciais futuros investigados – e por conseguinte extremamente suspeitos – não poderiam em hipótese alguma ficar mais um minuto sequer com o poder e a caneta em mãos, sob pena de frustrarem ou comprometerem as investigações que porventura serão instauradas.
Finalmente, a velha máxima popularizada pelo economista e ganhador do Prêmio Nobel Milton Friedman segue inabalável, e, se não existe almoço grátis, muito menos viagem para Londres na companhia do filho, e com tudo pago…







