Oferta Dia dos Pais: Receba 4 Revistas em casa por 32,90
Imagem Blog

José Casado

Por José Casado Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Informação e análise

Em crise, Bolsonaro e Centrão expõem a fragilidade da aliança

Por causa da derrota no voto impresso, governo anunciou veto a R$ 15 bilhões em emendas ao Orçamento. Centrão advertiu para consequências. Bolsonaro recuou

Por José Casado Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 ago 2021, 08h30 | Atualizado em 24 ago 2021, 08h36
Em crise, Bolsonaro e Centrão expõem a fragilidade da aliança Priorizar nos meus resultados Google

Fidelidade não é uma característica de Jair Bolsonaro. Já passou por oito partidos, fracassou na criação de um novo e, a 14 meses da eleição, ainda não conseguiu ser aceito em nenhum.

Infidelidade é uma peculiaridade do Centrão, agrupamento partidário que sustenta o governo no Congresso.

Centrão e Bolsonaro desconfiam um do outro, num exercício permanente de defesa contra a traição.

Há dez dias, ele queria aprovar na Câmara um projeto de emenda à Constituição para retroceder à era do voto impresso.

Precisava de 308 deputados votando “sim”, em dois turnos. Obteve 229 a favor, 218 contra e uma abstenção.

Continua após a publicidade

Debulhado o resultado, o governo ficou 26% abaixo do mínimo necessário (308) para aprovar a emenda. Ou seja, Bolsonaro quando tentou mudar a Constituição, só teve votos suficientes para aprovar um simples projeto de lei (metade mais um dos presentes na sessão).

Partidos do Centrão foram decisivos. O PP do ministro Ciro Nogueira (Casa Civil) e o PL da ministra Flavia Arruda (Secretaria de Governo) marcaram posição com 36 discursos contra o projeto, além de registrar 18 ausências, o que na votação de emendas constitucionais se contabiliza como voto contra.

Poderia ter sido pior, não fossem os 40 votos que lhe foram presenteados por deputados da oposição.

Continua após a publicidade

Habituado a fazer política com fígado, Bolsonaro atravessou a semana passada decidido a dar um tranco no Centrão.

Na sexta-feira, o governo anunciou veto presidencial a dois tipos de emendas parlamentares impositivas ao Orçamento. Somam previsão de gastos de R$ 18 bilhões no ano eleitoral de 2022, e são conhecidas como de relator e de bancada.

A maior parte da despesa (cerca de R$ 15 bilhões) está na conta das chamadas emendas de relator-geral do Orçamento, inovação introduzida no ano passado num acordo de Bolsonaro com o Centrão.

Continua após a publicidade

Funciona como um orçamento paralelo, controlado diretamente pelos líderes do Centrão. Eles privilegiam alguns parlamentares em cotas de verbas federais. Informam aos ministérios o valor e o destino do dinheiro a ser liberado.

A transação é direta, sem controle muito menos transparência — “a partir de dezenas de ofícios, sem que sejam assegurados dados abertos em sistema de registro centralizado que permitam a transparência ativa, a comparabilidade e a rastreabilidade por qualquer cidadão e órgãos de controle”, constatou o tribunal de contas.

Isso permite aos parlamentares alinhados ao Centrão o livre manejo de recursos federais para investimento em pequenas obras nas áreas estratégicas aos respectivos planos de reeleição, distorcendo a distribuição regional de recursos do Orçamento da União.

Continua após a publicidade

Num exemplo do ano passado, a região Norte recebeu verbas federais — via emendas de relator — de valor proporcional por habitante cinco vezes maior que o Sudeste, embora sua população seja cinco vezes menor.

-
(TCU/Contas de Governo 2020/VEJA)

Se vetasse esse orçamento paralelo, como anunciou na sexta-feira, Bolsonaro cortaria o fluxo de dinheiro do governo que irriga as campanhas eleitorais dos partidos integrantes do Centrão.

Continua após a publicidade

Eles são sócios no poder, mas têm prioridades distintas: o presidente quer se reeleger, os partidos querem garantir a sobrevivência, elegendo bancadas no Congresso e nas assembleias estaduais.

O tamanho das bancadas em 2022 é decisivo ao futuro de cada um, para cumprir exigências de uma legislação focada na redução do número de partidos (há 35 registrados e outros 78 na fila da Justiça Eleitoral). Precisam eleger o máximo possível de candidatos ao Legislativo para ter acesso a fundos públicos e a tempo de propaganda no rádio e na tevê.

O anúncio do veto presidencial delineou uma crise entre Bolsonaro e o Centrão. Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, e os ministros Ciro Nogueira (PP-PI) e Flavia Arruda (PL-DF) se esforçaram para convencê-lo a recuar.

O veto presidencial seria ineficaz, pois acabaria derrubado na Câmara. E, caso insistisse, não haveria retorno — “a República cairia”, conforme uma descrição das conversas obtida pelos repórteres Andrea Jubé e Fabio Murakawa, do Valor.

Bolsonaro capitulou. Voltou atrás na decisão anunciada e sancionou o Orçamento de 2022 com a previsão de pagamento de cerca de R$ 15 bilhões em emendas de relator.

Líderes do Centrão renovaram promessas de empenho na aprovação de projetos considerados relevantes para o governo.

Expuseram a fragilidade dessa aliança, sem garantia mútua de adesão automática e incondicional. Continuam juntos, até à próxima crise.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo e branco, ao lado de Você pediu, a gente ouviu! em branco. À direita, capas de revistas e um celular com tela ligada, e um ícone de árvore à esquerda.Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo neon, acompanhado de um raio. Abaixo, Você pediu, a gente ouviu!. À direita, capas de revistas: SUPER com um copo de milk-shake, VEJA com paisagem e MUNDO ESTRANHO com carros. Um ícone de árvore estilizada no canto superior direito
OFERTA RELÂMPAGO

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
OFERTA RELÂMPAGO

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 29,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).