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Informação e análise

Partido Liberal de Bolsonaro quer tabelar preços dos combustíveis

Quando nasceu, há quatro décadas, PL defendia o liberalismo econômico. De liberal quase nada restou ao partido que virou reduto da extrema-direita

Por José Casado Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 abr 2026, 08h00
Partido Liberal de Bolsonaro quer tabelar preços dos combustíveis Priorizar nos meus resultados Google

Quando nasceu, em 1985, o Partido Liberal se apresentou com a bandeira da ortodoxia liberal, propostas de preços, câmbio e salários livres, empresas privadas sem subsídios do Tesouro Nacional e privatização de parte das empresas públicas.

Mudaram as prioridades. Agora, o que importa no PL é a eficiência da máquina eleitoral comandada por Jair Bolsonaro, que escolheu o filho-senador Flávio Bolsonaro como candidato a presidente.

De liberal quase nada restou ao Partido Liberal, transformado em reduto da extrema-direita bolsonarista.

Nesta terça-feira (28/4), por exemplo, a Comissão de Infraestrutura do Senado vai analisar um projeto de lei que institui o tabelamento de preços dos derivados de petróleo em situações de crise.

O autor é o senador Marcos Rogério da Silva Brito, 46 anos, candidato do PL ao governo de Rondônia. Ele pretende obter aquilo que alguns dos adversários do Partido dos Trabalhadores já tentaram e não conseguiram: impedir o repasse automático das variações de preço do petróleo no mercado mundial para os consumidores brasileiros.

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O senador do Partido Liberal propõe uma intervenção do Estado no mercado doméstico para liquidar com a semelhança (“paridade”) entre preços internos e internacionais dos derivados de petróleo.

O governo estabeleceria o tempo de duração da “emergência transitória de preços” no decreto de tabelamento, ele sugere. “Não há um motivador econômico interno que justifique o repasse”, escreveu para justificar o projeto. Citou aumentos abruptos dos combustíveis fósseis no mercado nacional durante a pandemia (2020), a guerra da Rússia contra a Ucrânia (2022) e, agora, na guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. O preço do petróleo subiu 50% nas últimas oito semanas.

Controle de preços, na prática, elimina a lei básica da economia — oferta e procura. No longo ciclo de superinflação, encerrado com o Plano Real (1994), governos militares e civis fizeram inúmeras experiências do gênero. O fato de nenhuma ter sido bem-sucedida não impediu e, até hoje, não impede que alguns insistam, como faz o senador e candidato do PL ao governo de Rondônia.

De toda forma, tem novidade na cena eleitoral: o Partido Liberal está propondo lei de revogação do liberalismo econômico.

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