Partido Liberal de Bolsonaro quer tabelar preços dos combustíveis
Quando nasceu, há quatro décadas, PL defendia o liberalismo econômico. De liberal quase nada restou ao partido que virou reduto da extrema-direita
Quando nasceu, em 1985, o Partido Liberal se apresentou com a bandeira da ortodoxia liberal, propostas de preços, câmbio e salários livres, empresas privadas sem subsídios do Tesouro Nacional e privatização de parte das empresas públicas.
Mudaram as prioridades. Agora, o que importa no PL é a eficiência da máquina eleitoral comandada por Jair Bolsonaro, que escolheu o filho-senador Flávio Bolsonaro como candidato a presidente.
De liberal quase nada restou ao Partido Liberal, transformado em reduto da extrema-direita bolsonarista.
Nesta terça-feira (28/4), por exemplo, a Comissão de Infraestrutura do Senado vai analisar um projeto de lei que institui o tabelamento de preços dos derivados de petróleo em situações de crise.
O autor é o senador Marcos Rogério da Silva Brito, 46 anos, candidato do PL ao governo de Rondônia. Ele pretende obter aquilo que alguns dos adversários do Partido dos Trabalhadores já tentaram e não conseguiram: impedir o repasse automático das variações de preço do petróleo no mercado mundial para os consumidores brasileiros.
O senador do Partido Liberal propõe uma intervenção do Estado no mercado doméstico para liquidar com a semelhança (“paridade”) entre preços internos e internacionais dos derivados de petróleo.
O governo estabeleceria o tempo de duração da “emergência transitória de preços” no decreto de tabelamento, ele sugere. “Não há um motivador econômico interno que justifique o repasse”, escreveu para justificar o projeto. Citou aumentos abruptos dos combustíveis fósseis no mercado nacional durante a pandemia (2020), a guerra da Rússia contra a Ucrânia (2022) e, agora, na guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. O preço do petróleo subiu 50% nas últimas oito semanas.
Controle de preços, na prática, elimina a lei básica da economia — oferta e procura. No longo ciclo de superinflação, encerrado com o Plano Real (1994), governos militares e civis fizeram inúmeras experiências do gênero. O fato de nenhuma ter sido bem-sucedida não impediu e, até hoje, não impede que alguns insistam, como faz o senador e candidato do PL ao governo de Rondônia.
De toda forma, tem novidade na cena eleitoral: o Partido Liberal está propondo lei de revogação do liberalismo econômico.







