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A pele não pode ser cuidada por algoritmos

Pesquisa mostra que mais da metade dos brasileiros busca informações sobre cuidados com a pele nas redes sociais e com criadores de conteúdo

Por Carlos Barcaui* 8 jul 2026, 12h00 | Atualizado em 9 jul 2026, 10h40
A pele não pode ser cuidada por algoritmos Priorizar nos meus resultados Google

A saúde da pele precisa ser encarada como uma prioridade de saúde pública. A pele é o maior órgão do corpo humano e, frequentemente, o primeiro a revelar que algo não vai bem com o organismo. Alterações cutâneas podem ser a manifestação inicial de doenças infecciosas, autoimunes, metabólicas, genéticas e até de diversos tipos de câncer. Ainda assim, milhões de pessoas continuam negligenciando seus sinais ou substituindo a avaliação médica por informações obtidas nas redes sociais.

Segundo dados publicados pela The Lancet, as doenças de pele afetam quase cinco bilhões de pessoas em todo o mundo e figuram entre as principais causas globais de incapacidade. São aproximadamente três mil doenças cutâneas diferentes, muitas delas capazes de comprometer não apenas a saúde física, mas também mental.

O reconhecimento dessa realidade levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a aprovar, em 2025, uma resolução histórica que passou a tratar as doenças de pele como prioridade global de saúde pública. A medida recomenda ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento especializado, fortalecer a assistência dermatológica, investir em educação em saúde e combater o estigma que ainda acompanha muitas dessas enfermidades.

Entretanto, vivemos um paradoxo. Nunca houve tanto acesso à informação sobre saúde e, ao mesmo tempo, nunca estivemos tão expostos à desinformação.

A Pesquisa Datafolha mostra que mais da metade dos brasileiros busca informações sobre cuidados com a pele, produtos, procedimentos e doenças dermatológicas. O dado mais preocupante é onde essas respostas estão sendo procuradas: as redes sociais e criadores de conteúdo já representam a principal fonte de informação para parcela significativa da população, superando a busca por avaliação médica presencial.

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Essa preocupação é ainda maior entre os jovens. Embora a acne seja a principal causa de consulta dermatológica no Brasil, sete em cada dez brasileiros entre 16 e 24 anos que apresentam a doença nunca procuraram um dermatologista. Muitos seguem orientações de influenciadores, utilizam medicamentos por conta própria ou realizam procedimentos sem qualquer avaliação profissional, expondo-se a complicações que poderiam ser facilmente evitadas.

O Dia Mundial da Saúde da Pele, celebrado em 8 de julho e promovido pela Liga Internacional das Sociedades de Dermatologia (ILDS), representa um chamado para que governos, profissionais de saúde e sociedade valorizem esse tema.

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Dermatologia participa desse movimento com um objetivo simples: lembrar que informação de qualidade continua sendo uma das ferramentas mais importantes para prevenir doenças, reduzir sequelas e ampliar o acesso ao diagnóstico precoce.

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Porque, em medicina, a tecnologia é uma grande aliada. Mas nenhuma inovação substitui o conhecimento científico, o exame clínico e a relação de confiança entre médico e paciente.

*Carlos Barcaui é presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia

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