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Do exame ao tratamento: o que mudou no cuidado com a tireoide

No dia mundial da tireoide, especialista chama a atenção para os sinais de problemas na glândula e a evolução no tratamento de tumores e distúrbios ali

Por Maria Fernanda Barca* 25 Maio 2026, 07h00 | Atualizado em 25 Maio 2026, 11h17
Do exame ao tratamento: o que mudou no cuidado com a tireoide Priorizar nos meus resultados Google

Apesar da popularidade do assunto, até 60% das pessoas com doenças da tireoide não sabem que têm um problema. Os sintomas costumam ser sutis, aparecem lentamente e, muitas vezes, são confundidos com estresse, envelhecimento ou hábitos de vida. Por isso, falar sobre essa glândula, pequena no tamanho, mas central para o funcionamento do organismo, é indispensável.

Localizada na região do pescoço, a tireoide produz os hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), responsáveis por regular o metabolismo, influenciar a fertilidade e garantir o bom funcionamento de órgãos como coração e cérebro. Entre as alterações mais comuns estão o hipotireoidismo (produção insuficiente de hormônios) e o hipertireoidismo (produção excessiva).

A maioria dos nódulos nessa glândula são benignos, não estão associados ao câncer e ocorrem especialmente com o avanço da idade, sendo descobertos por acaso em exames de imagem. Já o câncer de tireoide costuma ter evolução lenta e altas taxas de cura, especialmente quando diagnosticado precocemente.

Nos últimos anos, houve uma mudança importante na forma de diagnosticar e tratar as doenças da tireoide. Saímos de um modelo mais padronizado para uma abordagem individualizada, que considera as características de cada paciente. Hoje, contamos com exames mais precisos — alguns já com apoio de inteligência artificial — e com tratamentos menos invasivos.

Um exemplo claro está no manejo dos nódulos tireoidianos. Antes, muitos pacientes eram encaminhados diretamente para cirurgia. Atualmente, técnicas como a ablação por radiofrequência permitem tratar determinados nódulos com uma agulha guiada por imagem, sem cortes e com recuperação mais rápida. Em casos selecionados, isso evita a necessidade de cirurgia.

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Mesmo quando a cirurgia é indicada, também notamos evolução. Diretrizes da American Thyroid Association recomendam, em alguns casos de câncer, a retirada de apenas parte da glândula (lobectomia), em vez da remoção total. Isso pode reduzir a necessidade de reposição hormonal por toda a vida do paciente.

No tratamento do hipotireoidismo, a levotiroxina segue como padrão-ouro. Trata-se de uma reposição hormonal segura e eficaz. O diferencial hoje está no ajuste fino da dose: idade, peso, outras doenças, uso de medicamentos e até a rotina do paciente influenciam diretamente na prescrição. Mais do que tratar exames, tratamos pessoas.

O avanço da medicina trouxe mais precisão, menos invasividade e melhores resultados. Mas o maior desafio ainda é o diagnóstico. Reconhecer os sinais, mesmo os mais discretos, e buscar avaliação médica faz toda a diferença.

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Os principais sintomas das doenças da tireoide variam conforme há falta ou excesso de hormônios, como cansaço, ganho ou perda de peso, sensação de frio, pele seca, queda de cabelo, intestino preso, lentidão de raciocínio, irritabilidade, insônia, tremores, suor excessivo, sensação de calor e coração acelerado.

Informação continua sendo o primeiro passo para o cuidado. E, quando falamos em tireoide, prestar atenção aos pequenos sinais pode mudar o curso de uma vida inteira.

* Maria Fernanda Barca é endocrinologista e membro do grupo de tireoide do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

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