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O que muda com nova diretriz da OMS sobre infertilidade

Condição tem grande impacto psicológico, social e financeiro, que frequentemente envolve estigma e sofrimento emocional

Por Rodrigo Rosa* 1 jan 2026, 09h00
O que muda com nova diretriz da OMS sobre infertilidade Priorizar nos meus resultados Google

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou recentemente uma diretriz global inteiramente dedicada à infertilidade, com recomendações que orientam países a oferecer cuidados mais seguros, acessíveis e baseados em evidências.

O documento estabelece padrões para prevenção, diagnóstico e tratamento, e reforça a infertilidade como um problema de saúde pública mundial, que afeta uma em cada seis pessoas em idade reprodutiva.

Apesar da alta prevalência, o acesso ao cuidado permanece desigual. Em muitos locais, um ciclo de fertilização in vitro (FIV) pode custar até o dobro do rendimento anual de uma família, o que torna o tratamento inviável para grande parte da população.

A OMS reconhece que a infertilidade não é apenas uma condição clínica, mas uma questão de equidade e direitos reprodutivos. Pela primeira vez, temos um padrão global que orienta os países sobre como garantir acesso justo e baseado em ciência para quem deseja ter filhos.

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A diretriz reforça que a infertilidade, definida como a incapacidade de engravidar após 12 meses ou mais de relações sexuais regulares sem proteção, deve ser entendida como uma condição de grande impacto psicológico, social e financeiro que frequentemente envolve estigma e sofrimento emocional.

A prevenção, segundo a diretriz, pode ser uma estratégia valiosa, especialmente em nível populacional. A educação sobre fertilidade desde a adolescência, incluindo impacto da idade, hábitos de vida, tabagismo e saúde sexual, além de aconselhamento sobre estilo de vida — alimentação saudável, prática de atividade física, abandono do tabagismo — para indivíduos e casais tentando engravidar, são fundamentais.

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É essencial também que programas de prevenção a infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) avancem no mundo, uma vez que essa é uma das principais causas evitáveis de infertilidade, especialmente tubária.

A diretriz descreve os protocolos clínicos para diagnosticar as causas biológicas comuns da infertilidade masculina e feminina.

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O texto fornece orientações sobre como avançar progressivamente nas opções de tratamento, desde estratégias de manejo mais simples, em que os médicos inicialmente aconselham sobre os períodos férteis e a promoção da fertilidade sem tratamento ativo, até tratamentos mais complexos, como inseminação intrauterina ou fertilização in vitro (FIV).

Por fim, o documento da OMS recomenda que os países adaptem as orientações à realidade local e as incorporem às estratégias nacionais de saúde. Isso inclui: inserir diagnóstico e tratamento da infertilidade no sistema público; capacitar profissionais de saúde em atenção primária; monitorar resultados e desigualdades no acesso; fortalecer políticas de direitos reprodutivos e combate ao estigma.

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Estamos diante de um documento que pode transformar a vida de milhões de pessoas. Se aplicado corretamente, ele democratiza o acesso e devolve às pessoas o direito de decidir quando e como ter filhos.

*Rodrigo Rosa é ginecologista obstetra especialista em Reprodução Humana e sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, e do Mater Lab, laboratório de Reprodução Humana. Membro da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), é colaborador do livro “Atlas de Reprodução Humana”

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