APURAÇÃO DAS ELEIÇÕES 2022

🔥 Mês do Cliente: Receba 4 Revistas Impressas por apenas R$ 35,90/mês. Aproveite!
Imagem Blog

Letra de Médico

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Orientações médicas e textos de saúde assinados por profissionais de primeira linha do Brasil

Os problemas de saúde que o El Niño pode piorar

Fenômeno climático, que pode ser mais intenso neste ano, está associado a agravamento de alergias e asma

Por Fátima Rodrigues Fernandes* 20 abr 2026, 07h32 | Atualizado em 20 abr 2026, 10h31
Os problemas de saúde que o El Niño pode piorar Priorize VEJA no Google

Eventos climáticos como o El Niño não são apenas fenômenos oceânico-atmosféricos distantes: eles têm impacto direto sobre a saúde da população. Ao alterar padrões de temperatura, umidade e regime de chuvas, o El Niño modifica profundamente o ambiente ao qual estamos expostos — e isso se reflete no aumento de sintomas alérgicos e exacerbações de asma.

Um dos principais mecanismos envolve o aumento das temperaturas médias e a maior frequência de eventos extremos. O calor e a instabilidade climática favorecem a formação e dispersão de poluentes atmosféricos, como material particulado e ozônio, que têm efeito inflamatório direto nas vias aéreas. Esses poluentes aumentam a permeabilidade da mucosa respiratória, facilitando a entrada de alérgenos e intensificando a resposta inflamatória.

Além disso, mudanças no regime de chuvas e na umidade influenciam a concentração de aeroalérgenos. Períodos mais quentes e úmidos podem prolongar a estação de polinização e aumentar a carga de pólen no ar. Já chuvas intensas e tempestades podem fragmentar partículas de pólen em frações menores, capazes de penetrar mais profundamente nas vias aéreas — fenômeno associado a crises de asma.

Outro aspecto central — e muitas vezes subestimado — é o impacto das inundações, mais frequentes durante eventos de El Niño. Ambientes alagados e úmidos favorecem a proliferação de fungos e ácaros, dois dos principais gatilhos de doenças alérgicas. Após enchentes, residências frequentemente apresentam aumento significativo de mofo em paredes, móveis e sistemas de ventilação, elevando a exposição a esporos fúngicos inaláveis. Esses microrganismos têm alta capacidade de induzir inflamação das vias aéreas e exacerbar tanto rinite quanto asma.

Continua após a publicidade

As inundações também alteram profundamente a microbiota ambiental e humana. A perda de biodiversidade microbiana e a exposição a microrganismos ambientais atípicos favorecem estados de disbiose e desregulação imunológica, com impacto direto na integridade das barreiras epiteliais e na resposta inflamatória. Esse desequilíbrio aumenta a suscetibilidade a doenças alérgicas e pode contribuir para maior gravidade dos quadros clínicos.

Eventos extremos associados ao El Niño — como ondas de calor, queimadas e secas — também pioram a qualidade do ar. A exposição a esses fatores está relacionada ao aumento de exacerbações de asma, maior uso de medicações de resgate e crescimento das hospitalizações, especialmente em populações vulneráveis, como crianças e idosos.

Continua após a publicidade

Por fim, o El Niño atua como um verdadeiro “amplificador” de riscos ambientais. Ele não cria as doenças alérgicas, mas intensifica os fatores que desencadeiam e agravam essas condições: poluição, aeroalérgenos, calor extremo, umidade excessiva e alterações da microbiota. Em um cenário de mudanças climáticas globais, esses eventos tendem a se tornar mais frequentes e intensos.

Compreender essa relação é essencial para antecipar riscos, orientar pacientes — especialmente após períodos de chuva intensa e enchentes — e reforçar medidas de controle ambiental, como ventilação adequada, redução de umidade e manejo de mofo domiciliar. Trata-se de incorporar, definitivamente, a variável climática à prática clínica e à prevenção das doenças alérgicas.

Continua após a publicidade

*Fátima Rodrigues Fernandes é pediatra e presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia – ASBAI

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em verde-limão O MÊS É DO CLIENTE. e em branco A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua.. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos, e ao lado, uma árvore estilizada em verde-limão
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Básico

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 76% OFF

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 5,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).