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Letra de Médico

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Um exame simples, que pouca gente faz e ajuda a evitar graves problemas

Sem acompanhamento, pacientes estão expostos a risco elevado de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e doença renal.

Por Andrei Sposito e Fernanda Consolim Colombo* 28 abr 2026, 08h00

A hipertensão arterial (valores mantidos de pressão iguais ou maiores que 140/90 mmHg) é o principal fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares considerado como “modificável”, ou seja, passível de controle quando detectado. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,4 bilhão de adultos vivem com hipertensão em todo o mundo, mas apenas um em cada cinco consegue manter a pressão arterial sob controle adequado.

Isso significa que a grande maioria permanece exposta a um risco elevado de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e doença renal. Vários fatores podem estar associados a esse preocupante cenário: desconhecimento da doença, dificuldade de acesso ao sistema de saúde ou aos medicamentos, não adesão ao tratamento proposto, uso incorreto de medicamentos anti-hipertensivos, sistema de saúde estruturado de forma inadequada, não provendo recursos humanos bem formados para o acompanhamento, pouca estrutura de exames complementares, dentre outros.

Portanto, a mudança deste cenário requer esforço conjunto de profissionais da saúde, dos pacientes e da própria sociedade. Nas Américas, esforços coordenados vêm ampliando o acesso ao tratamento adequado. Mais de 6 milhões de pessoas recebem cuidados por meio da iniciativa HEARTS, implementada em 28 países da região, com uma taxa de controle que atingiu 60%, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde. Esses dados demonstram que o diagnóstico e o tratamento corretos são eficazes quando implementados de forma sistemática.

No Brasil, a hipertensão também é altamente prevalente. Estima-se que cerca de 30% dos adultos convivam com a condição. Nas capitais, a prevalência é ligeiramente maior entre as mulheres (29,3%) em comparação aos homens (26,4%). Esses números reforçam que a hipertensão é um desafio relevante de saúde pública no país.

Uma pesquisa realizada pela Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) na capital e em cidades do interior revelou um cenário preocupante: embora a maioria das pessoas tenha aferido a pressão arterial no último ano, ainda há lacunas no acompanhamento e no entendimento desse valor como indicador fundamental da saúde cardiovascular.

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Entre os homens entrevistados, 26% não mediram a pressão arterial no último ano. Entre as mulheres, esse percentual foi um pouco menor, mas ainda relevante: 21%. Quando os participantes foram questionados se lembravam os valores aferidos, entre os homens e as mulheres, 25% não conseguiam recordar os números exatos, enquanto 31% dos homens relataram níveis elevados e 44% valores dentro da normalidade.

Entre as mulheres, 27% relataram pressão elevada e 48% níveis normais. Embora seja positivo que parte expressiva da população conheça seus números, a dificuldade em lembrar os valores mostra que há falhas na compreensão da necessidade do acompanhamento contínuo da pressão arterial como indicador essencial do seu risco cardiovascular.

O que dizem as diretrizes mais recentes

As diretrizes mais atuais reforçam a importância da detecção precoce e do controle rigoroso da pressão arterial. A diretriz brasileira, atualizada no ano passado, definiu a chamada pré-hipertensão como níveis entre 120 e 139 mmHg de pressão sistólica ou entre 80 e 89 mmHg de pressão diastólica. O objetivo é identificar precocemente indivíduos em risco e intervir antes da progressão da doença.

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A meta geral recomendada é manter a pressão arterial abaixo de 130/80 mmHg. Como, além da hipertensão, a presença de outras condições clínicas aumenta ainda mais o risco para desenvolvimento de doenças cardiovasculares, a diretriz também indica o escore PREVENT, que considera fatores como obesidade, diabetes e lesões em órgãos-alvo para calcular o risco cardiovascular.

A Sociedade Europeia de Cardiologia (European Society of Cardiology – ESC), em atualização de 2024, reforça a importância de uma abordagem personalizada, incluindo investigação de causas específicas, como o hiperaldosteronismo primário. Trata-se de uma condição em que o organismo produz aldosterona em excesso, hormônio fabricado pelas glândulas suprarrenais e responsável por regular o equilíbrio de sódio, potássio e pressão arterial, especialmente relevante em pacientes com hipertensão de difícil controle, ou com comorbidades como insuficiência cardíaca e diabetes.

A entidade também recomenda estratégias terapêuticas escalonadas, com intensificação progressiva do tratamento quando necessário. Já as sociedades americanas (American Heart Association e o American College of Cardiology), em diretrizes do ano passado, recomendam o rastreamento de causas secundárias de hipertensão em pacientes com doença renal crônica, diabetes ou histórico de eventos cardiovasculares.

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As entidades também orientam o uso do escore PREVENT para avaliação do risco em dez anos e indicam o início de terapia combinada com dois medicamentos anti-hipertensivos na maioria dos casos, estratégia que aumenta as chances de controle eficaz da pressão arterial.

O caminho da prevenção e do controle Apesar dos avanços no tratamento, todas as principais diretrizes concordam que a base da prevenção e do controle da hipertensão está nas mudanças no estilo de vida. A redução do consumo de sódio, com limite inferior a 2 gramas por dia (o equivalente a uma colher de chá de sal) é uma das medidas mais eficazes.

A adoção da dieta DASH, rica em frutas, verduras e alimentos naturais, também contribui significativamente para a redução da pressão arterial. A prática regular de atividade física, pelo menos 150 minutos por semana, o controle do peso corporal, a cessação do tabagismo e a redução do consumo de bebidas alcoólicas são pilares fundamentais tanto na prevenção quanto no tratamento.

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As diretrizes brasileiras e norte-americanas destacam que essas mudanças devem começar já em indivíduos com pressão arterial a partir de 120/80 mmHg. Quando o risco cardiovascular é elevado, a terapia medicamentosa pode ser iniciada precocemente.

Os dados da pesquisa da Socesp mostram que ainda há um caminho importante a percorrer no Brasil. Medir a pressão arterial regularmente, conhecer os valores e compreender seu significado são atitudes simples, mas que podem salvar vidas. A hipertensão é frequentemente silenciosa, mas seus efeitos não são. O controle começa com informação, passa pela prevenção e se consolida com acompanhamento contínuo. Nesse processo, a conscientização da população é tão importante quanto os avanços da medicina.

*Andrei Sposito é cardiologista e diretor científico da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) e Fernanda Consolim Colombo é cardiologista, médica assistente da Unidade de Hipertensão do InCor e diretora da Socesp

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