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Blog do economista Maílson da Nóbrega: política, economia e história

Estatais: Razões da ineficiência

Mudanças de direção e sujeição à concorrência pública são duas

Por Maílson da Nóbrega 20 jun 2026, 08h00
Estatais: Razões da ineficiência Priorizar nos meus resultados Google

Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em declaração recente, “não é verdade que as empresas estatais sejam menos eficientes”. Ao contrário, são muitas as razões pelas quais elas têm desempenho inferior ao das companhias de maior porte do setor privado. Lula pode ter-se baseado menos em estudos sérios e mais em seu sentimento anticapitalista.

Estatais não costumam ser criadas com o exclusivo objetivo de lucro, como ocorre no setor privado. A motivação é suprir falhas de mercado, situação em que o setor privado é incapaz de prover bens e serviços requeridos pelo desenvolvimento econômico. Uma das causas é a escassez de crédito de longo prazo, dada a timidez dos mercados de capitais, a dificuldade de acesso ao financiamento externo ou a ausência de fontes governamentais.

Tão logo o sistema financeiro evolui e surgem grupos privados com capacidade de gestão para substituir as estatais, é hora de privatizar. Foi assim no Japão ao fim do século XIX e na Europa a partir dos anos 1980. A decisão de vendê-las levou em conta o contrário do que disse Lula, ou seja, o setor privado se afigura mais eficiente. A medida contribui para elevar a produtividade e o potencial de crescimento da economia.

“Vale e Embraer ganharam produtividade e contribuem mais para o crescimento da economia”

No Brasil, três casos de privatização comprovam essa assertiva: os da Vale, da Telebras e da Embraer. A Vale era considerada exemplo de como uma estatal pode ser eficiente e livre de indicações políticas. A passagem para o setor privado propiciou uma explosão de crescimento que alçou a empresa à posição de quinta maior do mundo em sua área.

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A privatização da Telebras popularizou o telefone, principalmente o celular. Antes, havia filas de anos para adquirir uma linha. Surgiram empresas de aluguel de telefones fixos, a peso de ouro. Telefones eram patrimônio nas declarações do imposto de renda. Tudo isso mudou para melhor. A venda da Embraer propiciou a fabricação de aeronaves de passageiros de grande porte. Seus jatos executivos a classificam como número 1 do mundo na respectiva categoria.

Há várias origens para a ineficiência relativa das estatais. Duas delas são fundamentais. A primeira é a mudança de direção a cada quatro anos, não raramente menos. A cada vez, podem surgir ideias que provocam ineficiência. A segunda é a submissão às regras de concorrência pública para aquisição de bens ou para mudanças estruturais. Nesse caso, os perdedores costumam questionar o processo no Judiciário, o que causa demora em sua conclusão. Em um caso, o Banco do Brasil ficou dois anos sem poder modernizar seu parque de computadores.

Lula e o PT nada aprendem com tais insucessos e contratempos. Continuam aferrados à ideia de que estatais são “estratégicas”, enquanto a realidade desmente a afirmativa. Veja-se o caso da Eletrobras, recentemente privatizada e em inequívoco processo de ganhos de eficiência. Lula disse, sem prova, que “a privatização da Eletrobras foi o maior roubo da história”. Como? Sonha em vê-la voltar a ser uma estatal. Com que dinheiro?

Publicado em VEJA de 19 de junho de 2026, edição nº 3000

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