PIB do 1º tri: ligeiramente melhor do que se previa
O resultado não reverte o processo de desaceleração em curso na economia brasileira em 2026
O PIB do primeiro trimestre cresceu 1,1% quando comparado ao trimestre imediatamente anterior. Na comparação anual, o crescimento atingiu 1,8%. Esse desempenho – que se contrapõe à estabilidade dos últimos dois trimestres – não deixa de ser medíocre, mas foi melhor do que as estimativas do mercado, que apontavam uma expansão trimestral de 0,9%. O crescimento foi disseminado por todos os setores: agropecuária, indústria e serviços, influenciado pelo crescimento da indústria de transformação e da indústria extrativa, que vinham ostentando queda nos últimos meses de 2025.
A principal contribuição para o desempenho do PIB do primeiro trimestre veio da agropecuária, que cresceu 2% em relação ao trimestre imediatamente anterior, impulsionada pelo maior abate de bovinos – que se beneficiou de maior demanda da China – e da expansão da colheita de soja.
A indústria experimentou elevação de 1% no primeiro trimestre, em termos dessazonalizados, o que permitiu boa recuperação da queda de 0,7% observada no quarto trimestre de 2025. Isso decorreu da recomposição parcial das perdas na indústria de transformação e de novos avanços na indústria extrativa. Poderia ter sido melhor se não tivesse ocorrido um mau desempenho da construção civil.
Nos serviços, o crescimento de 0,5% no primeiro trimestre teve como destaque o segmento de informação, que se beneficiou da maior demanda das empresas por serviços de tecnologia. Esta área tem batido a própria expansão nos últimos anos, particularmente nos serviços de TI. O comércio, que normalmente tem sua expansão associada às vendas nos supermercados, exibiu crescimento mais forte em produtos farmacêuticos e na indústria automobilística.
Pela ótica da demanda, o consumo das famílias teve desempenho de 1%. O avanço ainda indica um desafio para a política monetária. Uma desaceleração tem influência negativa na atividade econômica e é esperada nos casos de alta da taxa de juros com o objetivo de fazer convergir a inflação para a meta, como ocorre atualmente.
A formação bruta de capital cresceu 3,5% no primeiro trimestre, em relação ao trimestre imediatamente anterior, mas caiu 1,4% na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. Esse resultado foi influenciado pela maior expansão observada no princípio do exercício anterior, quando ocorreu importação de plataformas de exploração do petróleo, item ausente em 2026.
As exportações caíram 1,7% no primeiro trimestre, na mesma métrica. Essa queda pode ser explicada pelo desempenho das vendas externas de soja no mesmo período de 2026, que foi menor. Cabe lembrar que, por causa disso, a agropecuária, que se havia expandido 15% no primeiro trimestre de 2025, cresceu muito menos neste trimestre, conforme acima mencionado (2%). As importações cresceram 4,4%, enquanto haviam se reduzido no trimestre anterior, fruto em grande parte do maior desempenho da atividade econômica.
Em conclusão, o resultado melhor do que o esperado para o primeiro trimestre de 2026 não reverte o processo de desaceleração em curso na economia brasileira em 2026.







